Como a transição energética está moldando o futuro do agronegócio brasileiro
A transição energética se tornou um tema central no agronegócio do Brasil, especialmente considerando a necessidade de assegurar a continuidade das operações em regiões distantes dos grandes centros urbanos. Em 2024, este setor representou cerca de 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, conforme dados recentemente divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), em colaboração com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A ampliação da produção agropecuária e os obstáculos relacionados à infraestrutura são frequentemente discutidos em publicações técnicas da CNA, que podem ser acessadas na seção oficial de estudos da entidade. Nesse contexto, as empresas do setor energético têm demonstrado um crescente interesse em soluções que integram diversas fontes de energia.
De acordo com a Tecnogera, uma empresa brasileira especializada em oferecer soluções de segurança energética, a adoção de sistemas híbridos — que combinam geradores, energia solar e armazenamento — é uma alternativa promissora para garantir maior previsibilidade operacional em áreas com limitações na rede elétrica.
Um recente relatório da International Energy Agency (IEA) intitulado “Batteries and Secure Energy Transitions” traz dados relevantes sobre o uso de baterias em aplicações estacionárias. O estudo revela que o custo das baterias de íon-lítio teve uma redução superior a 85% entre 2010 e 2023, o que amplia suas possibilidades de aplicação em distintos setores, incluindo o agronegócio.
Além disso, o relatório destaca a possibilidade de reaproveitar baterias que anteriormente foram utilizadas em veículos elétricos para novas aplicações, especialmente em soluções energéticas estacionárias.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também disponibiliza uma variedade de publicações técnicas que abordam o uso da energia no meio rural, acessíveis em sua plataforma oficial de pesquisas. Paralelamente, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), elabora estudos que versam sobre o planejamento e a expansão do setor elétrico no Brasil, incluindo documentos técnicos que tratam da infraestrutura energética necessária.
Para a Tecnogera, que já possui 19 anos de atuação no setor de segurança energética, a demanda por soluções estruturais voltadas à continuidade operacional no agronegócio é cada vez mais evidente. Maysa Calmona, gerente de comunicação da empresa, ressalta que o mercado está em busca de alternativas que integrem diferentes fontes de energia e recursos de monitoramento remoto. “Estamos aplicando nossa experiência com baterias de lítio, sistemas híbridos e monitoramento remoto para oferecer ao produtor rural mais previsibilidade energética”, afirma Calmona.
