Renegociação de Dívidas Rurais em Números
No contexto de uma inadimplência alarmante que atinge o agronegócio, o Banco do Brasil (BB) anunciou a renegociação de impressionantes R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais. Essa iniciativa ocorreu durante a vigência da Medida Provisória nº 1.314/2025, que buscava oferecer suporte a produtores enfrentando dificuldades financeiras. Os dados revelam que, ao todo, 29 mil operações de crédito foram renegociadas, beneficiando 21 mil clientes que lidam diretamente com os desafios do setor.
Desses R$ 35,5 bilhões, R$ 32,2 bilhões correspondem a operações com recursos livres, enquanto R$ 3,3 bilhões são oriundos de linhas de crédito supervisionadas. Contudo, a MP que permitiu essa renegociação perdeu validade em 12 de fevereiro de 2026, após não ser apreciada pelo Congresso Nacional, encerrando, assim, as possibilidades de renegociação sob seus termos.
Desafios e Expectativas para o Setor
A situação se agrava com a crescente inadimplência, que, segundo dados do BB, alcançou um alarmante 6,09% no final de 2025, em comparação a 2,23% no mesmo período do ano anterior. A presidente do Banco, Tarciana Medeiros, destacou que esse comportamento do setor é inédito: “A inadimplência do agro em 2025 aumentou cerca de 500% em relação à média histórica”, ressaltou.
As operações em atraso, com mais de 90 dias, totalizaram R$ 24,7 bilhões. Com a nova regulamentação do Banco Central sobre provisionamento de perdas esperadas, o montante classificado nessa categoria subiu para R$ 39,1 bilhões, representando 9,64% da carteira de agronegócio que, no total, é de R$ 406,1 bilhões. Além disso, operações com condições normais de pagamento somaram R$ 341,6 bilhões, enquanto os créditos rurais prorrogados ficaram em R$ 64,6 bilhões.
Péssimos Resultados Financeiros e Ações Futuras
A escalada da inadimplência impactou fortemente o desempenho financeiro do Banco do Brasil. Em 2025, o lucro líquido do banco caiu para R$ 20,7 bilhões, uma diminuição acentuada de 45,4% em relação ao ano anterior, registrando o menor resultado desde 2020. Apesar desse cenário negativo, o último trimestre de 2025 apresentou resultados que surpreenderam positivamente os analistas: um lucro de R$ 5,742 bilhões, que representa um aumento de 51,7% em relação ao trimestre anterior e R$ 1,7 bilhão acima das expectativas do mercado.
Após a divulgação dos resultados, as ações ordinárias do Banco do Brasil subiram 4,5% em um dia em que o Ibovespa estava em queda. Ademais, as receitas com crédito no ano totalizaram R$ 47,3 bilhões, refletindo um crescimento de 27,6%. A carteira total de crédito do banco chegou a R$ 1,297 trilhão em dezembro de 2025.
Perspectivas para 2026 e Ações Adicionais
O Banco do Brasil planeja uma redução na inadimplência do agronegócio em 2026, levando em conta uma safra recorde e os efeitos das renegociações realizadas. Como parte de uma estratégia de ajustes financeiros, o banco também anunciou um aporte antecipado de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de uma contribuição adicional de R$ 500 milhões por ano. Essas medidas visam fortalecer o caixa do fundo, especialmente após os impactos da liquidação do Banco Master.
Apesar do panorama desafiador, a carteira total de crédito do Banco do Brasil apresentou crescimento. Para detalhes, as pessoas físicas contabilizaram R$ 356,9 bilhões (+7,6% em 12 meses), as pessoas jurídicas R$ 455,1 bilhões (+0,6%), e o agronegócio, por sua vez, atingiu R$ 406,1 bilhões (+2,1%).
