Evento resgata tradições musicais e homenageia figuras históricas locais
No dia 20 de fevereiro de 2026, a Filarmônica 25 de Março apresenta a segunda edição do projeto Retreta, uma iniciativa que destaca a significativa tradição das bandas filarmônicas ao compor obras em homenagem a figuras que marcaram a história social, cultural e institucional de Feira de Santana. O concerto, que traz à tona composições do acervo da instituição desde a década de 1940, reafirma o compromisso da filarmônica com a preservação da memória musical da cidade, além de atualizar seu patrimônio artístico.
Esta edição do Retreta resgata obras dedicadas a personalidades relevantes do município, ressaltando a importância das filarmônicas como guardiãs da identidade cultural local. A proposta une música de banda, memória histórica e formação de público, estabelecendo o evento como um espaço de valorização do patrimônio imaterial de Feira de Santana.
Dobrado João Martins: uma homenagem especial
A obra que abre esta segunda edição é o Dobrado João Martins, uma composição criada pelo professor Tertuliano Santos em homenagem a João Martins da Silva, que foi presidente de honra da Filarmônica 25 de Março. Este dobrado, escrito em Feira de Santana, está no acervo da entidade há mais de oitenta anos.
Em 2025, a partitura passou por um processo de atualização técnica, preservando, no entanto, sua concepção original. Tal revisão é parte da estratégia da banda para manter ativo o seu repertório histórico, permitindo uma execução que combine qualidade técnica com fidelidade estética. O uso do dobrado como peça central também remete à tradição das bandas civis brasileiras, onde esse gênero musical tem um papel simbólico em eventos públicos e celebrações.
Acervo rico em obras dedicadas
O acervo da Filarmônica 25 de Março é repleto de composições que seguem o mesmo princípio de reconhecimento público. Entre elas, destaca-se o Dobrado Arnold Silva, do maestro Estevam Moura, que é uma homenagem a Arnold Ferreira da Silva (1894–1965), um ex-presidente da instituição e uma figura proeminente nas áreas política, jornalística e intelectual de Feira de Santana.
Outro exemplo é a Valsa Lindaura Azevedo, composta por Tertuliano Santos em honra à primeira mulher nascida na cidade a se formar em medicina, simbolizando o reconhecimento da contribuição feminina na história local. Além disso, existe uma composição em estilo polonaise, criada pelo maestro João Camelier, em homenagem à senhora Glorinha Bahia. Segundo a organização do projeto, essas obras serão gradualmente incorporadas às próximas edições do Retreta, ampliando o diálogo entre música e memória.
A liderança do maestro Antônio Neves
À frente da Filarmônica 25 de Março, o maestro Antônio Neves é o responsável pela regência da banda e idealizador do projeto Retreta. A proposta surgiu como um espaço permanente de reencontro entre o público e a rica tradição das filarmônicas. Além de suas funções artísticas, o maestro também conduz a escolinha de música da instituição, que visa à formação de novos instrumentistas, garantindo a continuidade da tradição centenária das filarmônicas no interior da Bahia.
A conjugação entre repertório histórico e a formação musical não só fortalece o projeto, mas também o posiciona como um importante instrumento de preservação cultural e renovação institucional.
Intercâmbio cultural e exposição fotográfica
Assim como na edição anterior, a Filarmônica 25 de Março compartilhará o coreto com a Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana, vinda da cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Este intercâmbio ajuda a fortalecer laços históricos entre as bandas da região e a ampliar o alcance cultural do evento. Além da música, a programação deste ano inclui uma exposição fotográfica intitulada “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”, que reúne fotografias históricas de Feira de Santana, reforçando a conexão entre a música, a memória visual e o patrimônio histórico local.
