Da Academia à Sapucaí: A Influência do Bembé do Mercado
A pesquisa acadêmica da professora baiana Ana Rita Araújo Machado serviu como base para o enredo da Beija-flor de Nilópolis, que conquistou o vice-campeonato no carnaval do Rio de Janeiro. A inspiração veio da tradicional celebração Bembé do Mercado, reconhecida como a maior festa de candomblé de rua do mundo e que acontece em Santo Amaro, na Bahia. O desfile, que ocorreu na última segunda-feira (16), trouxe à tona uma narrativa histórica que reflete a rica cultura afro-brasileira.
A dissertação de mestrado da historiadora, defendida no Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), destacou a importância das manifestações culturais afro-brasileiras. Com o carnaval se tornando uma vitrine da cultura nacional, a Beija-flor fez jus a essa tradição ao homenagear o Bembé do Mercado, atraindo os olhares de críticos e amantes do samba.
Durante a apuração das notas, realizada na quarta-feira (18), a escola de samba Beija-flor ficou com o segundo lugar, somando 270 pontos, logo atrás da Unidos do Viradouro, que levou para casa o primeiro prêmio. A grande final do carnaval, o Desfile das Campeãs, acontece neste sábado (21), quando as melhores escolas retornarão ao sambódromo para mais uma exibição grandiosa.
Em entrevista ao Diário do Estado, Ana Rita revelou que a relação com a Beija-flor começou quando os integrantes da escola se depararam com um estudo realizado por ela em conjunto com o Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (Muncab), em Salvador. Essa colaboração inicial se aprofundou e resultou na pesquisa que fundamentou o enredo do desfile. A conexão entre a academia e a festa popular ressalta a relevância da pesquisa nas artes e na cultura brasileira.
Destacando a importância do Bembé do Mercado, Ana Rita explicou que essa celebração é muito mais do que uma simples festa. Ela representa a resistência cultural e um espaço sagrado de adoração e manifestação da religiosidade afro-brasileira. O desfile da Beija-flor não apenas trouxe à cena um aspecto significativo da tradição baiana, mas também promoveu a valorização da cultura negra no Brasil.
A participação de Ana Rita Araújo Machado no carnaval deste ano ilustra como a academia pode dialogar com a cultura popular. Por meio de um trabalho sério e bem fundamentado, a professora conseguiu levar a essência do Bembé do Mercado para um público amplo, evidenciando a força e a beleza das tradições afro-brasileiras. O impacto dessa colaboração ressoa, evidenciando a importância de se reconhecer a cultura como um elemento vital na construção da identidade nacional.
A Beija-flor, com sua proposta inovadora de enredo, conseguiu resgatar a memória de uma festividade que é um marco na cultura baiana. A reverência ao Bembé do Mercado não se limitou ao desfile, mas também despertou o interesse sobre a cultura afro-brasileira, atraindo atenção para a necessidade de preservação e reconhecimento dessas tradições. Assim, o carnaval, além de entretenimento, se transforma em um espaço de reflexão e valorização cultural.
Com um olhar voltado para a história, Ana Rita espera que essa aproximação entre academia e cultura popular continue a se fortalecer, proporcionando mais eventos que celebrem e respeitem a diversidade cultural do Brasil. A interação entre a pesquisa acadêmica e o carnaval carioca é um exemplo claro de como as manifestações culturais podem servir como um meio enriquecedor de aprendizado e de preservação da memória coletiva.
