Ascensão da LCM no Cenário Político Brasileiro
A LCM, conhecida como a “campeã do asfalto”, alcançou o topo do ranking de construtoras no Brasil após consolidar sua presença no setor público, especialmente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Com sede em Belo Horizonte, a empresa teve sua trajetória inicial marcada por um contrato modesto assinado em 2014, ano de sua fundação. Contudo, o grande salto em seu faturamento ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a LCM garantiu contratos que totalizaram cerca de R$ 6,6 bilhões nos três primeiros anos, considerando os valores corrigidos pela inflação.
Atualmente, a LCM se destaca no cenário da construção civil, tendo firmado impressionantes 128 contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em 22 estados, superando outras grandes construtoras. Em segundo lugar, a Construtora Luiz Costa Ltda. teve contratos que somaram R$ 4,8 bilhões, enquanto a V. F. Gomes Construtora Ltda. e a Construtora Caiapó Ltda. assinaram contratos de R$ 2,4 bilhões e R$ 1,54 bilhão, respectivamente.
O Vazio Deixado Pelas Grandes Empreiteiras
A ascensão da LCM se deu em um contexto marcado pela derrocada de grandes empreiteiras do país, que enfrentaram as consequências da Operação Lava-Jato. Em uma entrevista ao jornal Valor em 2015, Luiz Otávio Fontes Junqueira, fundador da LCM, mencionou que sua empresa se beneficiaria da ausência deixada por essas grandes firmas, que eram alvo de investigações na época. O empresário é reconhecido no setor por manter relações sólidas com governos de diversas ideologias.
Além dos contratos firmados sob a gestão petista, a LCM também conquistou acordos no governo de Romeu Zema, em Minas Gerais, que somam R$ 75,6 milhões. Essa diversidade de parcerias políticos é um dos fatores que, segundo especialistas, contribui para a contínua ascensão da empreiteira no cenário nacional.
Investigações e Suspeitas de Irregularidades
Entretanto, as luzes da fama não vêm sem sombras. Junqueira foi envolvido em uma operação da Polícia Federal no ano passado, sob a suspeita de fraudar licitações do Dnit no Amapá, em conluio com Breno Chaves Pinto, suplente do senador Davi Alcolumbre. As investigações se concentram na execução de obras na BR-156, onde supostas irregularidades foram identificadas.
A LCM, em nota, defendeu seu volume de contratações, atribuindo-o à “destacada capacidade técnica e ao comprometimento de seus colaboradores”. A empresa nega qualquer irregularidade nas licitações e informa que tem colaborado com as autoridades competentes para esclarecer os questionamentos surgidos. “Nossa atuação é pautada pelos mais rigorosos princípios éticos e legais”, afirma a nota.
Por sua vez, o senador Davi Alcolumbre, por meio de sua assessoria, negou qualquer relação com as empresas mencionadas nas investigações. Já o Dnit assegurou que está cooperando com as investigações em andamento.
Indícios de Cartel e Irregularidades em Licitações
As investigações não param por aí. A Controladoria-Geral da União (CGU) também colocou a LCM sob seu radar, especialmente por irregularidades relacionadas a uma obra da BR-367, que conecta Minas Gerais à Bahia. Relatórios da CGU indicam que a empresa estaria fornecendo informações inverídicas sobre as obras realizadas, com evidências de que recebia pagamentos por intervenções que não ocorreram.
Auditores, ao analisarem imagens de satélite, detectaram que a LCM recebeu valores por obras que, na verdade, não existiam. Em diversas situações, foi constatado que a empresa foi remunerada pela mesma intervenção em mais de uma oportunidade.
Suspeitas de Conluio e Colaboração com Outras Empresas
Outro ponto crítico nas investigações é a suspeita de um esquema de cartel envolvendo a LCM em pelo menos cinco estados, incluindo Rondônia, onde a empresa firmou contratos que totalizam R$ 848,8 milhões. A Polícia Federal aponta que a prática de conluio envolve não apenas a LCM, mas também outras empresas e consórcios atuando no setor de pavimentação, além de agentes públicos que facilitam essas ações irregulares.
Com diálogos e documentos sigilosos sendo descobertos pelas autoridades, o cenário se torna cada vez mais complexo. Em um dos diálogos interceptados, o superintendente do Dnit no Amapá agradecia ao suplente de Alcolumbre por um aumento de recursos, o que levanta questões sobre a influência política de figuras no governo sobre a liberação de verbas em obras públicas.
