Reabertura e revitalização histórica
O Teatro Vila Velha voltou a receber o público em Salvador após uma grande reforma que custou R$ 28,6 milhões. Localizado no Passeio Público, o espaço, que é um símbolo da cena cultural da Bahia, passou por uma transformação que modernizou sua estrutura, preservou sua identidade e ampliou a acessibilidade para artistas e espectadores. A obra contemplou desde melhorias físicas até a atualização dos sistemas essenciais para o funcionamento do teatro.
Investimentos e melhorias técnicas
A Prefeitura de Salvador destinou R$ 14 milhões para a compra de equipamentos modernos, como sistemas de climatização, iluminação e mobiliário. Outros R$ 14,6 milhões foram aplicados na reforma física do teatro e na recuperação do entorno, especialmente do Passeio Público. O projeto, elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), buscou respeitar o design original do Vila Velha, inaugurado em 1964, ao mesmo tempo em que incorporou tecnologias e soluções para as demandas atuais de um espaço cultural.
Entre as principais intervenções, destaca-se a duplicação das varas cênicas, a instalação de novos sistemas de iluminação, som e audiovisual, além do tratamento acústico da sala principal e a implantação de ar-condicionado. Também foram criados novos espaços para armazenamento de materiais cenográficos e uma subestação de energia para garantir o funcionamento eficiente do teatro.
Ampliação das áreas de espetáculo e infraestrutura
A sala de espetáculos Cabaré dos Novos foi reformada e ganhou isolamento acústico, permitindo sua operação paralela à sala principal. A antiga sala João Augusto, antes utilizada para ensaios, foi convertida em um terceiro espaço de espetáculo, preparado para receber montagens experimentais e monólogos. Além das áreas cênicas, as dependências administrativas, camarins, foyer e café/bar foram reformados para garantir maior conforto e funcionalidade.
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O projeto também atualizou as instalações elétricas, os sistemas de acústica e climatização, e instalou novos sistemas de alarme, combate a incêndio e monitoramento por circuito fechado de televisão (CFTV). A recuperação do Passeio Público incluiu a renovação da iluminação, reparos em bancos, monumentos, fonte e mirante, preservando os elementos históricos do espaço.
Reflexões do poder público e valorização cultural
O prefeito Bruno Reis ressaltou a importância do Vila Velha para a história cultural da Bahia e o papel do teatro na projeção dos artistas locais. Ele destacou que a reforma visa inspirar novas gerações e ampliar o acesso da população ao espaço, além de fortalecer o setor cultural, que contribui significativamente para a economia local.
A vice-prefeita Ana Paula Matos falou sobre o compromisso da Prefeitura com a preservação do patrimônio cultural e o preparo do teatro para os desafios futuros, valorizando a memória e os artistas baianos.
Acessibilidade e preservação integradas
Entre os eixos centrais da reforma esteve a acessibilidade, com adaptações tanto no teatro quanto no entorno. O Passeio Público, área tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), recebeu uma nova passarela metálica com rampa suave, elevador e escadarias que facilitam o acesso aos diferentes níveis do equipamento.
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Fonte: belembelem.com.br
O arquiteto responsável, Nivaldo Andrade, explicou que a intervenção solucionou problemas anteriores que dificultavam o acesso universal, especialmente para cadeirantes, garantindo conexão direta entre o Passeio Público e o teatro. As adequações respeitaram as restrições impostas pelo tombamento do entorno, preservando a identidade histórica do local.
Memória preservada e valorização artística
Além da modernização, a obra incluiu ações dedicadas à preservação do acervo do Vila Velha, que conta com cerca de um milhão de documentos. Foi criado um espaço para pesquisa e visitação, além de ampliar as áreas de armazenamento de cenários e figurinos. O mural na rampa de acesso, obra do artista plástico Bel Borba, foi restaurado para recuperar sua vitalidade.
Para o diretor do teatro, Márcio Meirelles, a reabertura é o retorno para a verdadeira casa do Vila Velha, reforçando o compromisso com encontros culturais e diálogos artísticos. O teatro, fundado em 1964 por alunos dissidentes da Escola de Teatro da Ufba, mantém seu papel como referência na cultura baiana e nacional, tendo sido palco de movimentos como o tropicalismo e recebido artistas renomados ao longo das décadas.