Comitê Brasileiro de Educação Circular reúne forças para mudar a cultura educacional
O Instituto Brasileiro de economia circular (Ibec), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e o SENAI CIMATEC, lançou na última terça-feira (13), em Salvador (BA), o Comitê Brasileiro de Educação Circular (CBEC). O evento ocorreu durante o XII Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia e destacou o papel central da educação na transição para uma economia circular. A mudança, segundo os organizadores, depende menos de novas tecnologias e mais de uma profunda transformação cultural, acadêmica e comportamental, que envolve a formação de profissionais com competências alinhadas a essa nova realidade, o letramento empresarial, políticas públicas estruturadas e estímulo a hábitos de consumo conscientes.
Três frentes para integrar a economia circular na educação e políticas públicas
O CBEC atuará em três eixos principais. Na educação profissional, buscará firmar parcerias com o Sistema S e institutos federais para desenvolver currículos voltados à economia circular, preparando profissionais com habilidades específicas para a indústria. Em relação às políticas governamentais, o comitê apoiará programas como o Profissionais do Futuro, do MEC/SETEC, em colaboração com o governo da Alemanha, promovendo também o letramento de gestores públicos para criar políticas que favoreçam a transição sustentável.
O terceiro eixo foca na educação infanto-juvenil, com iniciativas como o programa Brasileirinho Educa, que oferece gibis, videoaulas e quizzes interativos para capacitar escolas e professores. O objetivo não é apenas apresentar o conceito da economia circular às crianças, mas desenvolver nelas a capacidade de entender e transformar o modelo societal vigente.
A visão dos especialistas sobre o papel da educação na economia circular
Beatriz Luz, presidente do Ibec, reforça que a promoção da economia circular depende de pessoas capacitadas para atuar em diversas frentes. “Seja em salas de aula, reuniões empresariais ou diálogos com o poder público, fica claro que a educação é fundamental para formar profissionais e negócios comprometidos com essa agenda. O comitê quer contribuir para essa construção coletiva no Brasil, formando profissionais com novos olhares sobre produtos, serviços e modelos de negócios, apoiando políticas públicas qualificadas e levando o tema para as escolas”, afirma.
Leia também: Corumbá Lança Curso de Educação para Relações Étnico-Raciais com Aula Pública no Mirante do Porto
Leia também: UFRRJ Lança Inscrições para Mestrado em Educação com 64 Vagas para 2026
Marcela Paes, da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC/MEC), destaca que a qualificação de talentos e a modernização dos currículos são essenciais para a transição no país. “A Educação Profissional e Tecnológica tem capilaridade e vocação para liderar essa transformação cultural e técnica nos territórios. Com a união de forças entre Ibec, Ibict e SENAI CIMATEC, fortalecemos ações concretas como o programa Profissionais do Futuro e o projeto Assistec Inova, garantindo que estudantes e gestores públicos estejam na vanguarda das novas competências verdes. Nosso compromisso é assegurar que a educação seja a base para uma sociedade e indústria sustentáveis”, explica.
Experiências internacionais e brasileiras inspiram o Comitê
O CBEC se apoia em exemplos nacionais e internacionais que comprovam a eficácia da integração da economia circular na educação. Na Finlândia, por exemplo, a educação ambiental está incorporada ao currículo desde a primeira infância até o ensino superior, com formação contínua para professores. Em Portugal, há discussões avançadas sobre as chamadas “green skills” (habilidades verdes) e a coordenação entre ministérios para promover essa agenda.
No Brasil, o município de Lorena (SP) destaca-se como referência, com o programa Brasileirinho Educa e a instituição da Semana de Economia Circular, que inspirou o projeto de lei nº 1681, de 2026, para criação da Semana Nacional de Economia Circular. Essa iniciativa integra materiais didáticos e ações que aproximam o tema das escolas e comunidades locais.
O papel da informação e da formação técnica na disseminação da economia circular
Everson Reis, tecnologista do Ibict, ressalta que a informação científica, técnica e tecnológica é a base para a produção e disseminação do conhecimento, aproximando educação, pesquisa e inovação. “A articulação entre instituições é fundamental para promover a cultura da circularidade, estimular novas práticas e transformar conhecimento em soluções concretas para o desenvolvimento sustentável do Brasil”, aponta.
Leia também: Feira de Santana Lança Escolas Municipais de Música, Cultura e Arte para Ampliar Educação
Leia também: Uesb Lança Seleção para Estágio: Oportunidade para Estudantes do Ensino Médio e EJA
Luiggi Cavalcanti Pessôa, coordenador técnico do MBI em Economia Circular do SENAI CIMATEC, defende que a economia circular depende da mudança de comportamento de pessoas e organizações. “O comitê surge como espaço estratégico para promover conhecimento, estimular competências e fortalecer uma cultura voltada ao uso eficiente dos recursos. No SENAI CIMATEC, isso se traduz por meio da Academia da Inovação Sustentável, do MBI em Economia Circular e do MBA em Sustentabilidade Empresarial ESG, que formam lideranças capazes de integrar competitividade, inovação e responsabilidade socioambiental. Participar do comitê reforça nosso compromisso com a transição sustentável da indústria e da sociedade brasileira”, destaca.
Educação circular e financiamento: conexão para ampliar soluções sustentáveis
Em junho, o Ibec criou o Comitê Brasileiro de Financiamento Circular (CBFC), em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a Aliança Brasileira em Finanças e Investimentos Sustentáveis (Brasfi), o Conselho Federal de Economia (Confecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP). O CBFC busca conectar economistas, agências de fomento, bancos e indústrias para desenvolver mecanismos financeiros que atendam ao mercado nacional e ampliem soluções de economia circular.
Durante a primeira reunião, foi destacada a urgência de capacitar economistas no tema. Sem profissionais qualificados para avaliar investimentos e retorno em cadeias circulares, faltam métricas para destravar crédito e investimentos em larga escala. Esse diagnóstico reforça a importância da educação para o avanço da economia circular e motivou a criação do CBEC.
