Desafios do Agronegócio em Santa Catarina
Durante o Michuim promovido pela COOCAM, o presidente da FAESC (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), José Zeferino Pedrozo, apresentou uma análise do atual cenário do agronegócio em 2025. O evento, realizado em Campos Novos, serviu como plataforma para discutir as principais dificuldades que o setor enfrenta, especialmente nas cadeias produtivas do leite e do arroz, que têm gerado grande preocupação entre as lideranças rurais do Estado.
A FAESC, que desempenha um papel crucial na defesa e representação dos interesses dos produtores rurais catarinenses, tem acompanhado atentamente as reivindicações e os desafios que estão afetando os agricultores. Pedrozo destacou que a situação em Santa Catarina reflete uma crise mais ampla que atinge todo o Brasil, com setores produtivos enfrentando um momento crítico.
Particularmente os produtores de leite e arroz estão passando por uma das fases mais difíceis dos últimos anos. Apesar da implementação de programas estaduais como o “Leite Bom”, que visam amenizar as dificuldades, o dirigente ressaltou que essas iniciativas têm um alcance limitado. Infelizmente, o término do programa coincide com uma intensificação da crise, especialmente no setor do arroz, que enfrenta desafios históricos e atuais que superam as dificuldades anteriores dos últimos 30 anos.
Impactos da Crise e a Necessidade de Preparo
Pedrozo também mencionou que as crises no agronegócio são cíclicas, mas exigem um preparo contínuo para que os produtores consigam superar períodos turbulentos. No entanto, no segmento do leite, a ansiedade é particularmente elevada. Santa Catarina, que há uma década ocupava a oitava posição no ranking nacional de produção, agora se destaca como o quarto maior produtor do país. O aumento da produtividade nas pequenas propriedades tem permitido que o Estado produza mais do que consome, forçando os agricultores a buscarem mercados em outras regiões.
Outro ponto destacado por Pedrozo foi a prática de venda abaixo do custo, que continua a afetar negativamente a competitividade dos produtores catarinenses. Ele destacou que essa estratégia prejudica a formação de preços no mercado, pressionando setores que já enfrentam margens de lucro bastante reduzidas. A situação requer monitoramento constante e ações coordenadas para garantir a sustentabilidade das cadeias produtivas.
O dirigente também se referiu à queda nos preços de commodities como soja e milho, ressaltando que 2025 tem se mostrado um ano atípico, marcado por uma desvalorização generalizada no setor. Apesar dos desafios, Pedrozo expressou otimismo quanto à recuperação futura do agronegócio, lembrando que a história demonstra a resiliência do setor após períodos difíceis.
Expectativas para 2026 e a Importância da União
Ao discorrer sobre questões como taxação e outras pautas que impactam o agronegócio neste ano, ele observou que os pequenos produtores têm sido os mais prejudicados, embora eles sejam frequentemente destacados como prioridade nas políticas governamentais. Com a aproximação do período eleitoral, a expectativa é de que o setor receba maior segurança e previsibilidade para 2026.
Pedrozo enfatizou o papel da Frente Parlamentar da Agricultura e a atuação do Congresso Nacional, mencionando a recente derrubada de vetos presidenciais em questões ambientais. No contexto catarinense, ele destacou que 13 dos 16 deputados federais votaram a favor dos interesses do agronegócio, demonstrando um forte apoio da bancada local.
Por fim, ele defendeu a necessidade de união entre os produtores e citou exemplos de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde o agronegócio goza de significativa representatividade política. Pedrozo concluiu sua fala afirmando que fortalecer essa articulação é fundamental para garantir melhores condições aos produtores, especialmente nas atividades básicas da alimentação, como leite, arroz e grãos. “Finalizamos 2025, colhendo desafios, e começaremos 2026, plantando esperança. Acredito que isso retrata o que nós, homens do campo, somos: lutadores”, finalizou.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1909, em 18 de dezembro de 2025.
