Estruturação de Dados: O Primeiro Passo para o Sucesso da IA
A estruturação de dados emerge como um pré-requisito fundamental para o êxito na aplicação da Inteligência Artificial (IA) no agronegócio. Muitos acreditam que adquirir uma solução de IA por si só resolverá todos os problemas enfrentados no campo. Contudo, essa percepção é enganosa. Sem uma base de dados bem organizada, o potencial da IA pode ser drasticamente comprometido.
É importante lembrar que a IA não é um milagre; é uma ferramenta que opera a partir dos dados que recebe. Se esses dados forem ruins ou desorganizados, o resultado também será insatisfatório. Assim, a questão que se vê frequentemente nas propriedades rurais é: “Por que a IA não entrega o que foi prometido?” A resposta é simples: a base de dados está comprometida.
O Erro Clássico: Inteligência Sem Disciplina
Historicamente, o produtor rural se destacou na tomada de decisões baseadas em sua experiência e na observação do ambiente. Contudo, a era digital trouxe uma mudança significativa nesse cenário. Hoje, uma infinidade de dados é gerada por sensores, máquinas conectadas, sistemas de ERP, aplicativos de campo e muito mais. O volume de informações aumentou exponencialmente, mas a capacidade de gerenciá-las ainda está em amadurecimento.
É comum encontrar dados dispersos em planilhas paralelas, sistemas que não se comunicam, informações inseridas de maneira inconsistente e uma total falta de padronização. Essa realidade leva muitos a questionar a eficácia da IA: “Por que a tecnologia não está funcionando?” A resposta é clara: os dados que alimentam a IA estão em um estado lamentável.
Dados: A Base do Agronegócio
Uma analogia eficaz é comparar dados a solo agrícola. Mesmo com a semente mais avançada tecnologicamente, se o solo estiver mal preparado, o resultado será insatisfatório. A IA representa essa semente de alta qualidade; a estruturação dos dados é o solo que garante a produtividade digital.
Mas o que realmente significa estruturar dados no agronegócio? Não se trata apenas de digitalizar informações, mas de organizar a lógica do negócio em dados confiáveis. Essa estruturação deve se basear em sete pilares fundamentais:
- Padronização: As informações devem seguir um formato uniforme para permitir comparações e aprendizado.
- Governança de Dados: É essencial definir quem é responsável por criar, validar e corrigir os dados.
- Qualidade: Dados incompletos ou incoerentes podem comprometer os modelos de IA.
- Histórico Contínuo: A IA aprende com o passado, e um histórico estruturado é vital para evitar erros repetidos.
- Integração: Todos os elementos do sistema agropecuário precisam se comunicar para que a IA possa ser efetiva.
- Contexto Agronômico: Dados sem um contexto claro se tornam estatísticas sem valor prático.
- Atualização e Disciplina Operacional: É necessário estabelecer rotinas de manutenção e treinamento constantes.
A Evolução dos Papéis no Agronegócio
Entramos em uma nova era, a do agro orientado por dados, que redefine os papéis no setor. O produtor rural deve evoluir de executor para estrategista, enquanto o agrônomo passa a ser curador de dados. Já o gestor adquire a função de arquiteto do sistema de decisão. A habilidade de dominar dados será crucial para quem deseja se destacar em termos de produtividade e sustentabilidade.
O futuro do uso da IA no agronegócio não se resume a robôs ou tecnologias sofisticadas, mas começa com uma necessidade básica: ordem nos dados. É preciso ter disciplina nos processos e a humildade de organizar a casa antes de buscar a inteligência. Aqueles que compreenderem essa realidade colherão os frutos por muitos anos, enquanto os que ignorarem essa lição continuarão a investir em tecnologia sem resultados efetivos.
Sidney Regi Júnior, Especialista Sênior em Tecnologias Digitais aplicadas ao Agronegócio, ressalta que a verdadeira transformação não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na gestão adequada dos dados que sustentam essas inovações.
