Crescimento Expressivo nos Títulos do Agronegócio
Os títulos privados voltados ao financiamento do agronegócio brasileiro alcançaram a impressionante marca de R$ 1,412 trilhão até o final de novembro, o que representa uma alta de 17,76% em relação ao mesmo período do ano anterior. A informação faz parte do Boletim de Finanças Privadas do Agro, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
No mesmo mês do ano passado, o total desses instrumentos, que abrangem Cédulas de Produto Rural (CPR), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros), era de R$ 1,199 trilhão. Somente em outubro deste ano, os estoques já haviam chegado a R$ 1,399 trilhão, evidenciando um crescimento contínuo.
Avanços e Desafios no Setor
Dentre os diferentes instrumentos financeiros, as Cédulas de Produto Rural destacaram-se como as que mais cresceram. O estoque de CPRs subiu 21% na comparação anual, passando de R$ 464,17 bilhões em novembro do ano passado para R$ 559,80 bilhões neste ano, com cerca de 400 mil certificados emitidos. No entanto, o tíquete médio das CPRs sofreu uma queda de 7% em relação ao ano anterior, fixando-se em R$ 1,40 milhão.
Apesar desse crescimento, em uma análise mais detalhada, nota-se uma desaceleração na comparação entre safras. Entre os meses de julho e novembro da temporada 2025/26, o valor das CPRs registrou uma queda de 8% em comparação ao mesmo período da safra 2024/25, reduzindo-se de R$ 188,51 bilhões para R$ 174,07 bilhões.
Desempenho das Letras de Crédito e Certificados
Caminhando em uma direção positiva, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) também apresentaram um desempenho significativo. Até novembro, os estoques dessas letras avançaram 18% em 12 meses, totalizando R$ 603,33 bilhões. Atualmente, as LCAs se tornaram a principal fonte de recursos livres voltados para o crédito rural. Dentre o estoque total, cerca de R$ 362,00 bilhões foram reinvestidos no financiamento do setor agropecuário, um aumento de 42% em relação ao ano passado.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) também mostraram um crescimento expressivo de 17%, alcançando R$ 173,71 bilhões em estoque até novembro. Por outro lado, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) apresentaram uma retração de 15%, encerrando o mês com R$ 32,26 bilhões.
O Crescimento dos Fiagros
Além desses instrumentos, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) atingiram um patrimônio líquido de R$ 43,1 bilhões ao fim de março, o dado mais recente disponível. Isso representa um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. No total, 142 fundos estavam em operação, com alocação distribuída entre fundos imobiliários (44,6%), fundos de participações (39,4%) e direitos creditórios (16%).
Essa análise foi realizada pela Coordenação-Geral de Instrumentos de Mercado e Financiamento da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, consolidando dados da B3, CERC, CRDC, Anbima, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco Central do Brasil.
