A Coerção na Política Externa Americana
A coerção se tornou um elemento fundamental na política externa dos Estados Unidos, sobretudo no que diz respeito às suas relações no hemisfério americano. Essa avaliação é de Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais na PUC-Rio e da ECEME. Durante sua participação no programa WW Especial, Coelho abordou a atual situação da Venezuela, especialmente após a captura do ditador Nicolás Maduro.
O especialista ressalta a importância de analisar com cautela as declarações emitidas por Washington a respeito da Venezuela. “Acredito que o governo americano possui um plano, porém, uma das grandes dificuldades desde a posse de Donald Trump é que, muitas vezes, é necessário desmembrar o que é dito”, destacou Coelho. Ele enfatizou que várias declarações oficiais não necessariamente refletem as ações práticas adotadas.
O Realismo Flexível da Política Externa
Coelho também chamou a atenção para o conceito de “realismo flexível”, que foi recentemente introduzido na política externa dos EUA. “Esse é um conceito inovador, que ainda estamos tentando entender, e a ação na Venezuela representa o primeiro caso a ser analisado”, explicou o professor. Essa abordagem sugere que os Estados Unidos buscam assegurar que as decisões na Venezuela estejam em consonância com seus próprios interesses.
Para Coelho, a pergunta crucial que se coloca é até que ponto os novos líderes venezuelanos estarão dispostos a seguir uma agenda que tenha sido delineada em Washington. Ele chegou a comparar a situação a um eventual “protetorado americano”, termo que implica uma relação de subordinação política.
A América do Sul e os Novos Desafios
Carlos Frederico Coelho também contextualizou a situação da América do Sul, que, nos últimos anos, havia sido relativamente ignorada pela política externa americana. Contudo, ele argumenta que a região voltou à pauta de Washington, mas talvez “da pior maneira possível”, especialmente após a reorientação na política externa dos Estados Unidos que ocorreu após os atentados de 11 de setembro de 2001.
A análise do professor Coelho nos convida a refletir sobre as motivações e estratégias da política externa dos EUA, especialmente no contexto latino-americano, onde a coerção se apresenta como uma ferramenta central. À medida que os desafios geopolíticos se intensificam, fica evidente que o panorama político na região pode ser profundamente afetado por essas dinâmicas e pela evolução da relação dos EUA com seus vizinhos ao sul.
