Desafios da Economia Baiana
Waldeck Ornélas, reconhecido especialista em planejamento urbano-regional, destaca os principais obstáculos enfrentados pela Bahia em seu desenvolvimento econômico. Autor do livro ‘Cidades e Municípios: gestão e planejamento’, Ornélas propõe uma reflexão sobre a infraestrutura do estado, essencial para a retomada do crescimento. Em um artigo publicado no início de 2025, ele sugeriu uma agenda de expectativas, alertando sobre o déficit de infraestrutura que ainda é um fator limitante para o progresso da Bahia neste século.
À medida que 2025 se aproxima do fim, é momento de revisitar aquelas propostas e avaliar as intervenções feitas ao longo do ano. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que compreende dois trechos, Ilhéus a Barreiras, está com 71% de suas obras concluídas. Contudo, a Bamin, gestora das concessões da Fiol I e do Porto Sul, se mostra um entrave para a continuidade das obras. Com a previsão de entrega da Fiol II para os próximos dois anos, a operação do trecho Caetité-Barreiras está atrelada à conclusão da Fiol I e do Porto Sul, revelando a complexidade do cenário.
Em 2023, surgiram rumores sobre um possível empréstimo do governo baiano junto ao Banco dos Brics para viabilizar o Porto Sul, mas o sucesso desse plano permanece incerto. A concessão da Fiol está programada para maio e a expectativa é que o leilão ocorra sem complicações, desde que os problemas relacionados à Fiol I e ao Porto Sul sejam resolvidos. Contudo, a falta de clareza sobre a renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) – que abrange a antiga malha ferroviária da Bahia – levanta dúvidas sobre como isso impactará o estado.
Infraestrutura Rodoviária em Crise
A BR-324/116, um dos principais eixos rodoviários da Bahia e do Brasil, passou por uma recuperação difícil após ser resgatada da gestão ineficaz da Via Bahia. O trecho de 108 km entre Salvador e Feira de Santana, que é o único acesso rodoviário à capital, apresenta uma situação crítica, refletindo a precariedade da infraestrutura de transportes no estado. A nova concessão, agora chamada de Rota 2 de Julho, só deve ser leiloada em novembro de 2026, de acordo com o cronograma do Ministério dos Transportes.
A Bahia possui a segunda maior malha rodoviária do Brasil e, paradoxalmente, muitos de seus trechos permanecem em condições precárias, com poucos leilões em vista. A BR-101, que antes era um importante corredor turístico, agora também desempenha papel vital no transporte de cargas, e a BR-242, que conecta o Oeste baiano ao Complexo Portuário da Baía de Todos os Santos, requer melhorias urgentes para suportar o aumento do tráfego. Essas rodovias, juntamente com a BR-110 e outras mencionadas, pedem por intervenções para garantir a fluidez do transporte.
A Hidrovia do São Francisco e Oportunidades Para o Futuro
Enquanto isso, a Hidrovia do São Francisco, um importante recurso de transporte no passado, permanece desativada e sem prioridade do Ministério dos Portos e Aeroportos. Sua delegação à Companhia das Docas da Bahia (Codeba) ainda não foi concretizada. Existe potencial para revitalização, com a possibilidade de articulações ferroviárias em Juazeiro e Bom Jesus da Lapa, que poderiam transformar a logística regional.
O complexo portuário da Baía de Todos os Santos (BTS-Port) aparece como um modelo de eficiência. Nos últimos anos, investimentos significativos em terminais como o Tecon-Salvador e o Porto de Aratu-Candeias foram realizados, alinhando o setor privado às demandas atuais. A criação da Rota Bahia-Ásia, que iniciou a exportação do algodão, e a convergência de novas rotas internacionais são sinais promissores do potencial portuário da Bahia.
Entretanto, ainda há questões pendentes, como a definição do porto que atenderá a plataforma automobilística da BYD. A Codeba enfrenta um processo de concessão parcial que, até o momento, não se mostra promissor. O ano de 2025 não trouxe a transformação esperada para a Bahia, que continua a aguardar ações decisivas. Na análise de Ornélas, a Agenda de Expectativas foi prorrogada para 2026, evidenciando a urgência de soluções para os desafios estruturais que persistem na economia baiana.
