Análise dos Efeitos da Intervenção
O governo brasileiro ainda está em processo de avaliação sobre os impactos econômicos da recente invasão americana, que resultou na destituição de Nicolás Maduro no poder da Venezuela. Contudo, a movimentação dos ativos financeiros nesta segunda-feira sugere que, por enquanto, as repercussões são mais significativas no âmbito político do que no econômico. O dólar se manteve praticamente estável, com uma leve queda, enquanto a bolsa apresentou alta, corroborando as análises iniciais.
A incerteza quanto aos próximos passos do governo é palpável. O preço do petróleo, por exemplo, teve oscilações consideráveis ao longo do dia, mas fechou em alta. Este e o dólar se configuram como os principais indicadores para medir os potenciais efeitos na economia brasileira a curto prazo.
A alta do petróleo na jornada de ontem trouxe otimismo a alguns membros do governo, que acreditam que, após esse primeiro impacto, o preço da commodity poderá cair com a possível retomada das exportações venezuelanas para os Estados Unidos. Isso poderia beneficiar o Brasil, contribuindo para a queda da inflação e acelerando a redução dos juros pelo Banco Central. Contudo, esse cenário depende da manutenção de um dólar estável.
Vale ressaltar que o Brasil não depende fortemente do comércio com a Venezuela, o que diminui as preocupações em torno das exportações. No entanto, um impacto negativo a curto prazo não pode ser descartado. Contudo, as principais preocupações no momento estão relacionadas à política.
Um temor que permeia as discussões é que a intervenção na Venezuela possa ser um prelúdio para uma ação mais ampla do governo Trump, visando enfraquecer a esquerda em toda a América Latina. Vários interlocutores expressam receios sobre a possibilidade de “sabotagens ideológicas” com motivações econômicas. Essas fontes fazem um paralelo com os eventos de 2015/2016, quando uma sequência de acontecimentos — alegadamente apoiados pelos Estados Unidos — influenciou o impeachment de Dilma Rousseff.
No atual cenário, o foco parece estar na próxima eleição, mesmo diante da recente aproximação entre Lula e Trump. O presidente americano, após a queda de Maduro, demonstrou interesse nas reservas de petróleo venezuelano. Para uma parte do governo brasileiro, os EUA também almejam as riquezas naturais do Brasil, incluindo minerais estratégicos e o próprio petróleo, como a exploração da Margem Equatorial. Existe a preocupação de que isso possa levar ao apoio à candidatura de um candidato de direita que seja mais alinhado aos interesses americanos.
Contudo, todos esses desdobramentos ainda dependem de uma gama de variáveis, assim como da evolução da relação entre Trump e Lula nos próximos meses. As manifestações no Brasil refletem um esforço para equilibrar a defesa do direito internacional, que claramente foi desrespeitado pela operação na Venezuela, com a intenção de manter uma relação menos conturbada entre o Brasil e os Estados Unidos. Este equilíbrio será crucial para definir os rumos políticos e econômicos do país nos tempos que virão.
