Uma Narrativa de Bem Viver e Memória Coletiva
O curta-metragem de animação “Amalá”, situado no coração da Bahia, traz à tona uma narrativa rica e simbólica, abordando conceitos como bem viver, senso de comunidade e a importância da memória histórica. Mixando ficção com cultura oral, a obra convida à reflexão social e está em fase de mobilização, com estreia programada para fevereiro de 2026. As novidades sobre o projeto foram reveladas na última quarta-feira (07/01/2026).
Com uma construção narrativa que une vivências individuais e coletivas, o filme aborda os impactos históricos do genocídio da população negra e dos povos originários, a partir de uma perspectiva alegórica. A produção é realizada pela Raízes BA, através do Raízes Laboratório de Movimento Animado.
Produção e Concepção Artística
Com previsão de 15 minutos de duração e classificação para maiores de 6 anos, o curta busca estabelecer um diálogo intergeracional, utilizando a animação como um veículo para discutir temas sociais, históricos e culturais. O roteiro é assinado pelo roteirista Gean Almeida, natural de Feira de Santana, que divide a co-direção e a animação com Rodrigo Araújo, de Salvador. Juntos, eles propõem uma linguagem que se inspira em referências da cultura popular e na oralidade afro-indígena, criando um universo narrativo que é, ao mesmo tempo, simbólico e potente.
Os realizadores do projeto enfatizam que a proposta estética do filme mescla elementos do cotidiano com dimensões espirituais e míticas, promovendo um diálogo com práticas culturais e modos tradicionais de transmissão de saberes.
Uma Crônica Social em Animação
A obra não se limita a entreter; ela se transforma em uma crônica social que utiliza recursos visuais inovadores para conectar memória, território e experiências coletivas. A trama centra-se na personagem Ganzi, que busca uma advogada, Kalunga, para processar o Estado brasileiro. O que começa como uma questão jurídica rapidamente se desdobra em uma jornada que explora significados mais profundos sobre justiça, reparação e a importância da autonomia comunitária.
Ao longo do enredo, a experiência de Ganzi revela que a busca pela justiça não é meramente racional, mas uma travessia que entrelaça o real com o imaginário, revisitando conflitos históricos e suas repercussões na contemporaneidade.
Rumo à Finalização e Circulação do Curta
O roteirista Gean Almeida destaca que “Amalá” surge do desejo de valorizar os afetos comunitários e aumentar a presença do cinema negro no universo da animação. O co-diretor Rodrigo Araújo acrescenta que o filme se insere no contexto histórico do audiovisual baiano, fazendo ecoar processos de resistência cultural e artística que têm marcado a trajetória do estado.
Previsto para ser lançado em fevereiro de 2026, a equipe ainda busca parcerias e apoio de instituições que desejem colaborar na finalização e circulação do curta-metragem. Para interessados, o contato pode ser feito através do e-mail raizes.atv@gmail.com.
