Os Desafios da Geração X
A Geração X, que inclui aqueles nascidos entre 1965 e 1980, é marcada por profundas mudanças sociais e transformações nas relações de trabalho. Essa geração enfrenta uma pressão constante para manter a produtividade em um ambiente repleto de rápidas inovações tecnológicas. Além disso, muitos membros da Geração X se encontram em uma posição desafiadora, cuidando ao mesmo tempo de filhos que demoram a sair de casa e de pais idosos que desfrutam de uma longevidade crescente. Essa função de cuidador integral frequentemente resulta em uma significativa fadiga emocional e financeira, levando a Geração X a ser caracterizada como a ‘geração do cansaço’.
A psicóloga Soraya Oliveira, do centro clínico Órion Complex, em Goiânia, reforça essa ideia. “O cansaço que enfrentam não é apenas físico; é existencial e moral. Muitas vezes, a incapacidade de lidar com tantas responsabilidades é vivida como uma falha pessoal, quando na verdade é reflexo de um sistema que exige demais”, comenta. Os efeitos desse cansaço se manifestam em sintomas de ansiedade, depressão, e sentimentos de culpa, e muitos têm dificuldade em reconhecer esses sinais, mesmo quando eles se materializam como problemas físicos.
Pressões Culturais e Gênero
Segundo a especialista, o desgaste emocional é intensificado pela pressão para atender aos papéis sociais que a cultura impõe. “As mulheres da Geração X, em especial, enfrentam um julgamento tanto social quanto pessoal. Elas sentem a obrigação moral de cuidar dos pais idosos, administrar o lar e manter a harmonia familiar”, observa. Essa realidade expõe uma desigualdade de gênero que alimenta o esgotamento emocional e uma sensação de invisibilidade entre muitas profissionais e donas de casa.
Para iniciar uma mudança nesse cenário, Oliveira destaca que não basta ter força de vontade. É necessário um reposicionamento emocional e simbólico. “O ciclo de cansaço pode ser quebrado, mas isso não acontece sem o enfrentamento de conflitos e perdas simbólicas. Com o tempo, após superadas essas etapas, é possível alcançar uma saúde psíquica melhor, relações mais equilibradas e um envelhecimento menos repleto de ressentimentos”, afirma. Ela enfatiza que a Geração X precisa encontrar maneiras de não se sacrificar constantemente como forma de existir.
A Nova Geração Z
Por outro lado, a Geração Z, composta por aqueles nascidos entre meados da década de 1990 até 2012, é reconhecida como nativa digital. Para este grupo, o mundo sem tecnologia é quase inimaginável. Essa geração tem acesso a uma quantidade avassaladora de informações e mídias em uma velocidade sem precedentes, resultando em um perfil caracterizado por agilidade, curiosidade e polivalência. Por essa razão, eles são frequentemente chamados de ‘geração do imediatismo’.
Segundo Soraya Oliveira, a Geração Z não vive a pressa por escolha, mas sim por um estado de hiperestímulo, decorrente de uma educação que não ensina a esperar. “O imediatismo que vemos é uma resposta adaptativa a um ambiente que gera ansiedade. Sem a devida mediação psíquica, essa pressa se transforma em sensação de esgotamento. Essa característica não é apenas sobre ser rápido; é uma estratégia de regulação da ansiedade, e isso torna a geração mais vulnerável, pois o excesso de estímulos sem o devido suporte interno pode levar à deterioração da saúde mental”, explica.
Reconstruindo Experiências e Vínculos
Para Oliveira, o desafio intergeracional com a Geração Z é reconstruir a forma como eles vivenciam o tempo, os vínculos e os significados de suas experiências, sem desmerecer a tecnologia ou romantizar o sofrimento das gerações passadas. “A paciência deve ser ensinada, e o desconforto inicial é parte do processo. A Geração Z não precisa se tornar lenta, mas aprender a não ser refém da urgência. Ao cultivar a capacidade de esperar, eles não perdem potencial, mas ganham profundidade, sentido e, o mais importante, saúde mental”, conclui.
