Desempenho do Agronegócio Capixaba em 2025
O agronegócio do Espírito Santo se firmou como um dos pilares da economia local, destacando-se pela diversificação e pela intensa presença no mercado nacional e internacional. O estado é conhecido pela produção de itens como café, mamão, pimenta-do-reino, gengibre e celulose, além de ser o líder na produção de ovos no Brasil, com Santa Maria de Jetibá se destacando como referência. Essa robustez do setor também se reflete na significativa produção de frutas, cacau e proteína animal, o que favorece tanto as exportações quanto a geração de empregos e renda na região.
Em 2025, as exportações do agronegócio capixaba atingiram um total de US$ 3,21 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 17,2 bilhões, marcando o segundo maior valor da série histórica. Foram enviadas 2,4 milhões de toneladas de produtos para 133 países, o que representa 30,7% da pauta exportadora do estado. Esse resultado, apesar de uma retração de 11,2% em relação ao ano anterior, confirma a solidez e a competitividade internacional do setor em um cenário global mais desafiador.
Desafios e Competitividade no Setor
A retração nas exportações em 2025 deve-se, em parte, ao contexto econômico global, que foi impactado pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que chegou a adicionar 40% em tarifas sobre produtos agrícolas. Essa situação afetou de maneira momentânea as exportações de café, pimenta-do-reino, mamão e gengibre. Entretanto, após intensas negociações, uma parte dessas tarifas foi reduzida, beneficiando produtos cruciais para a pauta capixaba, como café, frutas e carne bovina.
Os Estados Unidos se mantiveram como o principal mercado para as exportações do agronegócio capixaba, contabilizando US$ 658,3 milhões, o que corresponde a 20,5% do total. Na sequência, destacam-se a Turquia, com 7,3% e US$ 235,5 milhões, e o México, com 5,6% e US$ 178,7 milhões.
O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, ressaltou que o desempenho do agronegócio em 2025 deve ser encarado à luz do ciclo excepcional do ano anterior. Segundo ele, “O ano de 2025 foi bom para o agronegócio capixaba, mesmo enfrentando um ambiente desafiador e os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos. O ano anterior, 2024, foi marcante e fora da curva, com preços recordes e uma grande antecipação de compras, principalmente de café pela União Europeia. Diante de um patamar tão elevado, é natural que ocorram ajustes, mas os números de 2025 demonstram que o agronegócio do Espírito Santo continua forte, competitivo e diversificado.”
Crescimento em Produtos-Chave
O desempenho de 2025 indica a consolidação das exportações capixabas, impulsionadas por produtos tradicionais como café e celulose, além de uma crescente variedade de itens com maior valor agregado, entre eles pimenta-do-reino, gengibre, mamão, ovos, carnes e pescados. Um dos destaques foi a pimenta-do-reino, que registrou um crescimento notável, com uma alta de 113% em valor e 58% em volume, alcançando US$ 347 milhões, o maior resultado já registrado. O Espírito Santo respondeu por impressionantes 69% das exportações brasileiras desse produto, reafirmando sua liderança. O estado também se destacou nas exportações de gengibre, correspondendo a 60% do total nacional, e de mamão, com 40%.
Panorama Geral das Exportações do Agronegócio Brasileiro
Em termos gerais, as exportações do agronegócio brasileiro chegaram a US$ 169,2 bilhões em 2025, apresentando um crescimento de 3% em comparação a 2024, o que representa 48,5% de toda a pauta exportadora do país. Esse crescimento foi impulsionado pelo aumento de 3,6% no volume embarcado, o que compensou uma leve queda de 0,6% nos preços médios internacionais.
O Brasil encerrou o ano com recordes históricos nas exportações de carnes bovina, suína, de frango, ovos, soja e algodão, favorecido por uma demanda firme e um câmbio competitivo. Os números refletem a força e a relevância do agronegócio brasileiro no mercado global, destacando a importância do Espírito Santo nesse contexto.
Composição das Exportações do Agronegócio Capixaba em 2025
- Café e derivados – US$ 1,79 bilhão (55,7%)
- Celulose – US$ 862,6 milhões (26,9%)
- Pimenta-do-reino – US$ 347,2 milhões (10,8%)
- Gengibre – US$ 40,4 milhões (1,3%)
- Carne bovina – US$ 37,5 milhões (1,1%)
- Mamão – US$ 29,4 milhões (0,9%)
- Chocolates e preparados de cacau – US$ 18,6 milhões (0,6%)
- Álcool etílico – US$ 13,1 milhões (0,4%)
- Ovos – US$ 8,4 milhões (0,3%)
- Peixes – US$ 7,0 milhões (0,2%)
- Outros produtos – US$ 57,2 milhões (1,8%)
