Apoio e Desafios na Acolhida dos Warao
A Prefeitura de Feira de Santana, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedeso), enfrenta diversas barreiras estruturais e culturais para garantir a adaptação dos 43 imigrantes indígenas venezuelanos da etnia warao que estão acolhidos na cidade. Embora o município assegure direitos fundamentais como moradia temporária, alimentação e assistência social, desafios persistem, especialmente no que tange à assimilação de práticas culturais brasileiras e à busca por moradia autônoma que respeite as especificidades desse grupo.
Esse grupo, que é composto por 10 famílias incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos e duas gestantes, está sob acolhimento no Centro Temporário de Acolhimento a Moradores de Rua (CTA) desde o retorno a Feira de Santana, em 14 de outubro de 2025. A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, destaca que a função do CTA não é servir como uma solução permanente, pois este espaço é destinado a atendimentos emergenciais e possui limitações para atender demandas culturais específicas.
Dificuldades em Encontrar Abrigos Apropriados
Segundo a gestão municipal, a maior dificuldade está em localizar um abrigo que se adeque ao modo de vida dos warao, o que tem requerido articulações com diversas instituições. A Sedeso já promoveu reuniões com o Governo do Estado, a União e a Defensoria Pública em busca de alternativas sustentáveis e que garantam a segurança jurídica das soluções propostas.
Como parte do plano imediato, a secretária anunciou uma reunião que ocorrerá nesta terça-feira (20/01/2026) com um proprietário de uma vila de casas, visando a possibilidade de um aluguel social em forma de pecúnio. Esta proposta busca oferecer maior autonomia às famílias warao, assegurando uma moradia fixa fora do CTA e minimizando a dependência de acolhimento institucional.
A Importância da Assistência Integral
Enquanto os indígenas permanecem no CTA, eles recebem suporte contínuo de uma equipe composta por assistentes sociais, educadores e nutricionistas. A Secretaria Municipal de Saúde também realiza visitas periódicas para fornecer exames e encaminhamentos, garantindo cuidados médicos adequados. A alimentação é preparada pelos próprios acolhidos, que seguem um cardápio que respeita a cultura alimentar warao, incluindo itens como macarrão, galinha, arroz, ovos, aipim e farinha de trigo.
A segurança do grupo também é uma prioridade, com orientações para evitar a circulação noturna em razão do potencial risco de violência urbana. O município está comprometido em manter uma equipe de vigilância no local para assegurar a proteção dos indígenas.
Programas Sociais e Sustentabilidade Financeira
Além do suporte direto recebido, os indígenas estão cadastrados em programas sociais federais. Parte do grupo já recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de R$ 1.621,00, e o Bolsa Família, que varia entre R$ 600,00 e R$ 1.736,00, dependendo da composição familiar. Embora esses benefícios auxiliem na segurança alimentar e na subsistência, não substituem a necessidade urgente de uma moradia adequada e de uma integração social progressiva.
Visão Geral do Histórico Migratório
A trajetória migratória dos warao é marcada por desafios e adaptações, refletindo a complexidade da interação entre culturas diferentes. A Prefeitura de Feira de Santana, portanto, está empenhada em promover não apenas a acolhida, mas também a inclusão deste grupo na sociedade local, respeitando suas tradições e assegurando uma convivência harmônica.
