Oportunidade em Meio à Biodiversidade
A bioindústria Puba, sediada em Feira de Santana, tem se destacado por suas inovações no campo dos nanofotoprotetores. Criada a partir de pesquisas acadêmicas e da observação direta da flora nativa da Bahia, a startup desenvolveu um produto químico revolucionário, aplicável tanto na indústria cosmética quanto no agronegócio. Fundada pelas farmacêuticas Táris Maria Macedo de Santana e Acsa Magalhães, a Puba aposta em extratos naturais da Caatinga e do Cerrado, utilizando uma tecnologia inédita no Brasil e planejando sua entrada no mercado agro em 2026, após a realização de testes de campo.
A ideia que deu vida à Puba surgiu em 2021, durante uma caminhada em uma trilha em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. As pesquisadoras, ao observarem espécies vegetais nativas, perceberam o potencial inexplorado da biodiversidade fora da Amazônia, especialmente em biomas que enfrentam intenso estresse hídrico e solar.
Táris Maria, formada em Farmácia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com mestrado e doutorado em Recursos Genéticos Vegetais pela Universidade Estadual de Feira de Santana, decidiu transformar a pesquisa acadêmica em um negócio de base tecnológica. A proposta inicial focava no desenvolvimento de insumos naturais para cosméticos, que apresentassem propriedades antioxidantes, fotoprotetoras e conservantes.
Suporte e Consolidação da Startup
A consolidação da Puba contou com o apoio do Sebrae, que ofereceu capacitações, mentorias e acesso a programas nacionais de inovação. Esse suporte foi crucial para a transição do ambiente acadêmico para o ecossistema de startups, mantendo, ao mesmo tempo, o rigor científico essencial para o desenvolvimento de seus produtos.
Os ativos criados pela Puba operam de maneira química, diferentemente da maioria dos fotoprotetores atualmente disponíveis no mercado, que atuam fisicamente. Quando aplicados em cosméticos, esses ativos têm um efeito antioxidante, ajudam a prevenir o envelhecimento da pele, protegem contra a radiação ultravioleta e também funcionam como conservantes naturais.
Segundo a CEO, a tecnologia desenvolvida é pioneira no Brasil, sem equivalentes diretos no mercado nacional. O grande diferencial da Puba está na extração de compostos de plantas adaptadas a condições extremas de luz e seca, o que proporciona maior eficiência fotoprotetora.
Expansão para o Agronegócio com o Plantprotek
A decisão de expandir para o agronegócio surgiu a partir de uma demanda apresentada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia em um evento do setor. Inicialmente, os produtores buscavam soluções para aumentar a durabilidade das frutas, mas visitas técnicas ao Vale do São Francisco revelaram que o principal desafio era a insolação excessiva.
Atualmente, muitos agricultores utilizam argilas ou compostos físicos que deixam resíduos brancos nas frutas, prejudicando sua aparência, aumentando os custos de lavagem e comprometendo a maturação adequada. Para resolver essa questão, a Puba desenvolveu o Plantprotek, um nanofotoprotetor transparente que protege contra a radiação solar excessiva sem bloquear totalmente a luz, permitindo assim um amadurecimento correto e preservando a qualidade visual exigida para exportação.
O Plantprotek utiliza a mesma base nanotecnológica aplicada aos cosméticos, adaptada para o uso agrícola. Já em fase de testes de campo, o lançamento do produto está previsto para o início de 2026, com a expectativa de se tornar o principal gerador de receita da empresa.
Estrutura e Equipe Multidisciplinar
A Puba começou a gerar receita em novembro de 2024, oferecendo consultorias para grandes empresas e comercializando extratos naturais por meio de seu site institucional. A equipe é composta por profissionais de diversas áreas, incluindo um químico, dois agrônomos e especialistas em finanças e comunicação. A formação da equipe também foi apoiada pelo edital Rhae – Programa de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas, conquistado em 2024.
As plantas utilizadas nos extratos são adquiridas de associações, agricultura familiar e de uma fazenda própria da empresa em Caldas do Jorro, no distrito de Tucano (BA), onde as águas termais são empregadas no processo produtivo.
Patentes e Inovação no Setor
A Puba já possui três patentes registradas. A primeira diz respeito ao processo de fermentação que diminui o tamanho das moléculas, aumentando a atividade e penetração desses compostos na pele e nos cabelos. No setor agroindustrial, a empresa obteve uma patente para o uso de resíduos agroindustriais, que transformam moléculas em nanopartículas. A terceira patente refere-se a um extrato supramolecular, com uma alta atividade antimicrobiana, antioxidante e fotoprotetora.
Essas inovações solidificam o posicionamento da Puba como uma bioindústria focada em soluções científicas, destinadas a substituir insumos importados por alternativas desenvolvidas a partir da biodiversidade brasileira.
Projeções Futuras e Apoio do Sebrae
A trajetória da startup está intimamente ligada ao portfólio de inovação do Sebrae. O coordenador de Inovação e Tecnologia do Sebrae Bahia, Tauan Reis, destaca que a Puba participou de diversos programas, incluindo Catalisa ICT, Startup Nordeste, Desafio Sertão Empreendedor e Inova Cerrado, além de missões técnicas nacionais e internacionais. Essa colaboração é fundamental para fortalecer a presença da Puba no mercado e para o seu crescimento futuro.
