Crescimento Notável no Agronegócio de Minas Gerais
As exportações do agronegócio em Minas Gerais alcançaram um marco histórico em 2025, totalizando R$ 97,7 bilhões em vendas externas de janeiro a novembro. Esse resultado, conforme o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), representa um aumento de cerca de 13% em relação ao mesmo período de 2024, quando as receitas somaram R$ 92,3 bilhões. Este crescimento é atribuído à valorização das commodities e à diversificação dos mercados.
Os dados também indicam que, apesar de uma redução de 6,6% no volume total embarcado, que ficou em 15,3 milhões de toneladas, o incremento na receita foi garantido pela combinação de preços internacionais elevados e pela qualidade dos produtos brasileiros. Isso reflete um cenário onde, mesmo diante de desafios, o setor agrícola consegue se destacar no mercado global.
Os Destaques das Exportações: Café e Soja Lideram
Dentre os produtos exportados, o café foi o grande protagonista, contribuindo significativamente para o resultado histórico. A receita com o café alcançou R$ 54,9 bilhões, um crescimento surpreendente de 41% em relação ao ano anterior, mesmo que o volume exportado tenha caído em 12,5%. Essa situação foi impulsionada pela valorização do preço médio internacional, que subiu de R$ 22,7 mil para R$ 36,7 mil por tonelada, decorrente da restrição da oferta global e uma demanda aquecida.
O complexo soja, por sua vez, gerou R$ 15,1 bilhões em exportações, acompanhando um volume de 7 milhões de toneladas. Embora o segmento tenha enfrentado um ambiente desafiador, com demanda internacional mais moderada e preços globais em queda, conseguiu se manter como um dos pilares das exportações. Já o setor sucroalcooleiro totalizou R$ 10,3 bilhões, impactado por ajustes de mercado que afetaram sua competitividade.
Diversificação e Resiliência do Agronegócio Mineiro
A diversificação dos produtos e dos mercados continua sendo um dos pontos fortes do agronegócio mineiro. Conforme a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 643 produtos agropecuários foram exportados para 177 países em 2025, evidenciando a resiliência do setor em um cenário de incertezas no comércio internacional.
No segmento de proteínas animais, as exportações de carnes (bovina, suína e de frango) também apresentaram um desempenho positivo, totalizando R$ 9,2 bilhões, o que representa um aumento de 7% em comparação ao ano anterior, com embarques de 463 mil toneladas. A carne bovina foi a que mais se destacou, beneficiada por preços firmes e pela crescente demanda externa, especialmente em mercados que buscam fornecedores com altos padrões sanitários.
Mato Grosso: Líder na Exportação de Carne Bovina
Em outra frente, o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) anunciou que Mato Grosso se consolidou como o principal exportador de carne bovina do Brasil em 2025, com 23,1% do total das exportações nacionais. O estado enviou aproximadamente 978,4 mil toneladas para 92 países, um desempenho histórico. Esse volume coloca Mato Grosso à frente de outros estados como São Paulo e Goiás.
O relatório do Imac destaca que, ao longo do ano, foram abatidas cerca de 7,4 milhões de cabeças de gado, gerando uma receita de quase US$ 4 bilhões em exportações. O preço médio por tonelada foi de aproximadamente US$ 5,4 mil, sublinhando a valorização da carne brasileira em mercados estratégicos. Além disso, houve uma significativa mudança no perfil dos destinos, com a China mantendo a liderança ao responder por 54,8% das compras.
Perspectivas Futuras e Valorização do Setor
O diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, enfatizou a importância da diversificação, que fortalece o setor diante das exigências sanitárias e comerciais variáveis. Essa estratégia reduz riscos e amplia as oportunidades para a carne de Mato Grosso no mercado global. O estudo ainda revela que a União Europeia lidera os preços médios pagos pela carne, com US$ 6.022,79 por tonelada, seguida pelo Oriente Médio.
Os dados apresentados reforçam a relevância do agronegócio na economia de Minas Gerais e Mato Grosso, mostrando que, mesmo em um cenário de volatilidade global, os estados têm conseguido ampliar suas receitas ao valorizar a qualidade e a diversificação dos produtos. Esse panorama tende a se ampliar em 2026, quando as estratégias de exportação continuarão a se desenvolver e a se adaptar às demandas do mercado.
