Uma Reflexão Profunda Sobre Existência e Resistência Através da Arte
O aguardado espetáculo ‘Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser’ está prestes a estrear no Centro Cultural Sesc Feira de Santana, em Feira de Santana, na próxima sexta-feira, dia 10, às 20h. Esta obra teatral promete instigar uma reflexão sobre a realidade da juventude negra, utilizando uma rica combinação de teatro, música, dança e elementos da ancestralidade africana.
Produzido pela Cia Única de Teatro de Feira de Santana, em colaboração com artistas cênicos baianos, ‘Akoko Lati Wa Ni’ se destaca pela sua proposta inovadora. A narrativa central gira em torno dos personagens Dofona, Dofonitinho e Famo, que, em meio aos ensaios de uma peça de formatura, se confrontam com um questionamento pertinente: como envelhecer em um país que frequentemente nega o direito à vida e à dignidade?
Além disso, a presença de uma ialorixá e de Iroko na encenação traz uma dimensão simbólica significativa, inserindo a trama em um espaço de resistência que é entrelaçado à memória e à espiritualidade africana. A direção e a escrita são de responsabilidade de Onisajé, que recebeu reconhecimento por seu trabalho ao ser premiado na 36ª edição do Prêmio Shell de Teatro, na categoria ‘Destaque Nacional’. Essa conquista evidencia a relevância e a força de produções que surgem fora do tradicional eixo Rio-São Paulo.
Com uma trilha sonora envolvente, a direção musical de Jarbas Bitencourt dá vida à obra, enquanto a direção de arte de Guilherme Hunder complementa visualmente a narrativa. A preparação corporal e a coreografia, sob a responsabilidade de Fabiola Nansurê, e a iluminação assinada por Nando Zâmbia, criam um ambiente que potencializa a mensagem do espetáculo.
A montagem de ‘Akoko Lati Wa Ni’ se configura como um importante diálogo entre arte e crítica social, desafiando estruturas coloniais e propondo uma dramaturgia que se aproxima do universo afro-mítico. Ao entrelaçar confrontos simbólicos com referências ancestrais, a apresentação une música, dança, rituais e poesia, promovendo uma reflexão intensa sobre tempo, vida e resistência. Essa interação se conecta profundamente com a poética do Teatro Preto de Candomblé e contribui para o surgimento do Macumdrama, um gênero que busca resgatar a cultura e a identidade afro-brasileira.
Dessa forma, o espetáculo ‘Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser’ se apresenta não apenas como uma obra teatral, mas como uma experiência transformadora que convida o público a refletir sobre questões profundas da existência humana em um contexto de resistência e luta pela valorização da cultura negra.
