Ex-Ministro Anuncia sua Candidatura
O ex-ministro Aldo Rebelo, que atuou nos governos de Lula e Dilma Rousseff, confirmou nesta segunda-feira, 30 de dezembro de 2025, sua candidatura à presidência da República nas eleições de 2026. A candidatura será lançada pelo partido Democracia Cristã (DC), uma sigla com presença reduzida no Congresso e sem histórico significativo em disputas eleitorais majoritárias.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, Rebelo destacou os eixos centrais de sua proposta, que incluem a retomada do crescimento econômico, a diminuição das desigualdades sociais, a valorização da democracia e a reconstrução da agenda de defesa nacional. Informações sobre sua candidatura já haviam sido antecipadas por colunistas da imprensa nacional no início do mês.
Trajetória Política de Aldo Rebelo
Aldo Rebelo possui uma carreira política marcada pela atuação em diferentes governos. Entre 2004 e 2005, durante o primeiro mandato de Lula, ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais. Em governos subsequentes de Dilma Rousseff, ele liderou três ministérios: Esporte, Ciência e Tecnologia e Defesa.
Após romper com o PCdoB em 2017, partido ao qual esteve vinculado por anos, Rebelo transitou por várias siglas como PSB, Solidariedade, PDT e MDB, com uma trajetória que reflete reposicionamentos ideológicos e um afastamento da esquerda tradicional.
Alinhamento com Setores Conservadores
Recentemente, Rebelo tem se distanciado da esquerda, adotando uma postura crítica em relação a pautas ambientais e indigenistas. Durante a entrevista que confirmou sua candidatura, ele argumentou que o presidente Lula está “refém” do Supremo Tribunal Federal, e criticou instituições como o Ibama e a Funai. Para ele, essas entidades estariam dificultando o desenvolvimento do país ao impor restrições à agroindústria e à exploração de recursos naturais.
O ex-ministro também manifestou apoio à ideia de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros envolvidos nas tentativas de ruptura institucional. Em sua visão, a pacificação nacional exige o esquecimento dos conflitos recentes, visando à reconstrução do Brasil.
Desempenho nas Pesquisas e Cenário Eleitoral
De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada em dezembro, Aldo Rebelo aparece com intenções de voto que variam entre 1% e 2%, dependendo do cenário simulado. Estes números indicam um baixo grau de competitividade eleitoral, especialmente se comparado a candidatos com estruturas partidárias mais robustas.
A sigla escolhida por Rebelo, a Democracia Cristã, conta com uma bancada reduzida no Congresso e uma capilaridade territorial limitada, características que, geralmente, são consideradas essenciais em campanhas presidenciais no Brasil.
Limitações da Estrutura Partidária
Apesar de sua longa trajetória política, a candidatura de Aldo Rebelo se apresenta sem uma base partidária sólida. O partido que o acolhe carece de uma estrutura nacional coesa, recursos financeiros adequados e uma organização social eficaz.
Nesse contexto, o projeto presidencial parece mais uma afirmação pessoal do que a representação de um movimento político enraizado. A ausência de uma coalizão forte e de um programa mobilizador limita a capacidade da candidatura de impactar a sociedade de forma ampla.
O Cenário Político Atual
A confirmação da candidatura de Rebelo ocorre em um ambiente político bastante polarizado e dominado por forças com uma estrutura partidária consolidada. A escolha por uma legenda de pequeno porte torna o projeto menos viável eleitoralmente.
Embora o ex-ministro possua experiência administrativa e uma rede de contatos, sua candidatura padece da falta de liderança orgânica e de uma base social estruturada. O discurso que ele apresenta, centrado em críticas institucionais e na defesa de anistias, tende a dialogar com nichos específicos, sem mostrar potencial de promover uma convergência mais ampla.
Em última análise, a iniciativa se configura como uma candidatura mais centrada na trajetória individual de Aldo Rebelo, sem a sustentação partidária e social necessárias para conferir profundidade e competitividade ao seu projeto presidencial.
