Polêmica no Natal Encantado
O show de Ana Carolina durante o evento Natal Encantado, realizado em Feira de Santana (BA) no último domingo (21), gerou uma onda de críticas nas redes sociais, mas não exatamente pela performance da cantora. O que chamou a atenção foi a decisão da artista e sua equipe de deslocar a intérprete de Libras, Julia Alves, para um local improvisado, dificultando a visualização para o público surdo. A situação levantou questões importantes sobre acessibilidade em eventos ao vivo.
Um vídeo compartilhado pelo perfil Feira 24 horas revelou a intérprete posicionada em uma estrutura que lembrava um cavalete, em contraste com as outras atrações do evento, que mantiveram seus intérpretes no palco principal. Isso gerou um clima de revolta entre os presentes, que esperavam um show inclusivo.
A Associação de Surdos de Feira de Santana (ASFS) não hesitou em se manifestar sobre o ocorrido. Em uma nota de repúdio, a entidade afirmou que a justificativa da produção, que alegou que a cenografia e os equipamentos ocupavam todo o espaço do palco, não era aceitável. A ASFS classificou a ação como um “grave cerceamento de acessibilidade” e ressaltou que a atitude configurava uma violação da Lei Brasileira de Inclusão.
Nas redes sociais, a indignação foi generalizada. A comunidade se mobilizou em defesa da acessibilidade, com comentários contundentes. “Negar a presença das intérpretes no palco é desrespeitar a comunidade surda”, declarou um internauta. A presidente da ASFS, que também é advogada, reforçou o peso da questão: “A acessibilidade não é um acessório opcional, mas um direito inalienável”. A associação ainda anunciou que já está tomando medidas legais para investigar as responsabilidades tanto da produção de Ana Carolina quanto dos organizadores do evento.
O incidente evidencia a necessidade urgente de discussão sobre a inclusão de pessoas com deficiência em eventos culturais. A presença de intérpretes no palco é essencial não apenas por uma questão de acessibilidade, mas também como uma forma de respeito e reconhecimento da diversidade. Em tempos em que a conscientização sobre direitos das minorias é cada vez mais relevante, ações como a que ocorreu no show de Ana Carolina suscitam reflexões profundas sobre o papel dos artistas e organizadores na promoção de um ambiente inclusivo.
A repercussão negativa gerou um alerta para outros artistas e produtores de eventos. A inclusão de intérpretes de Libras deve ser uma prática comum e inegociável em shows e apresentações, pois garantir que todos possam desfrutar das experiências culturais é um direito fundamental. A acessibilidade precisa estar no centro das discussões e planejamentos de eventos, e incidentes como o ocorrido em Feira de Santana devem servir de lição.
