Um Período de Riqueza Cultural
Entre as décadas de 1960 e 1990, Feira de Santana destacou-se como um importante polo das artes plásticas no Brasil. A cidade, conhecida por sua intensa atividade cultural, foi palco de exposições que revelaram talentos locais e regionais, muitos dos quais, mesmo após partirem, deixaram suas marcas nas telas. Durante esses anos, Feira tornou-se um verdadeiro celeiro de artistas, reconhecido por sua diversidade e vibrante cena artística.
A liderança do professor Dival Pitombo, à frente do Museu Regional, foi fundamental nesse processo. Conhecido por seu incentivo aos novos talentos, Dival, junto a uma equipe dedicada, organizou eventos que possibilitaram a descoberta e valorização de artistas até então desconhecidos. O Museu, que funcionava na Rua Professor Geminiano Costa, hoje Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira, foi um espaço de convivência e troca de ideias, repleto de mostras que incluíam tanto representantes locais quanto artistas de fora.
Artistas que Marcaram Época
Neste rico panorama cultural, surgiram nomes que se tornaram referência nas artes plásticas. A lista inclui figuras como Juracy Dórea, Célia Pires, e Charles Albert, que fizeram história na cidade, mas também novos talentos que despontaram. Um exemplo é o pintor Glárkas, oriundo do sul da Bahia, cuja arte em óleo sobre tela ganhou grande reconhecimento entre os admiradores da pintura. Sua abordagem única e sensibilidade estética marcaram sua passagem por Feira, onde deixou um legado significativo.
Outro artista notável foi o moveleiro Caboclo, ou Carlos Pedreira, que, mesmo autodidata, fez da pintura sua paixão. Seu estilo, que se moldou a partir de suas experiências como fotógrafo, trazia à tona a essência da cultura baiana em temas como casarios e feiras livres. O fotógrafo Carlos Silva, após anos de trabalho ao lado de Nestor Vieira, também fez transição para a pintura, conquistando o público com suas obras. Ele tinha uma técnica pessoal, utilizando tintas que manipulava, o que conferia a suas telas uma identidade inconfundível.
A Arte e a Comunidade
O cenário artístico de Feira de Santana era também enriquecido por outros nomes, como Herivelton Figueiredo, que se destacou pela regionalidade em suas obras, e Joaquim Brasileiro, reconhecido por seu trabalho premiado no Salão de Artes Plásticas. Vivaldo Lima, um publicitário que restaurou o teto da Prefeitura, e os irmãos Nailson e Pedrone, que se aventuraram pelo cartum e o trabalho gráfico, compõem a diversidade de talentos que habitavam a cidade. A presença de Dalbert, Alex Pessoa e Bena Loyola, que por um período residiu em Feira, além de outros artistas, demonstra a efervescência cultural da época, marcada pela troca de ideias e pela convivência criativa.
Cabe ressaltar que o jovem Ricardo Jerônimo, que iniciou sua trajetória artística ainda na juventude, hoje se encontra imerso na pintura mediúnica, refletindo a evolução dos artistas que surgiram daquele período. Outros, como o psiquiatra Evandro Cardoso, que se aventurou em várias técnicas, mostraram que a arte não tinha limites e que sua prática poderia ser uma forma de expressão genuína e rápida, sempre em busca da perfeição.
Em meio a essa rica tapeçaria de talentos, não se pode esquecer o impacto que o cenário artístico teve na formação da identidade cultural de Feira de Santana. Esses “anos dourados” das artes plásticas, embora distantes, continuam a ecoar nas lembranças e criações contemporâneas, mostrando que a arte tem o poder de transcender gerações e conectar pessoas através da beleza e da criatividade.
