Resultados financeiros em 2025
O Banco do Brasil anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, o que representa uma queda expressiva de 45,4% em comparação ao ano anterior. O balanço foi divulgado na noite desta quarta-feira (11), evidenciando como as novas regras contábeis e o aumento da inadimplência têm pressionado os resultados da instituição. Nos três últimos meses do ano, o lucro foi de R$ 5,742 bilhões, um recuo de 47,2% em relação ao quarto trimestre de 2024. Em contrapartida, em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano, houve um crescimento de 51,7% no lucro.
O Banco do Brasil destacou em sua nota que, apesar das dificuldades enfrentadas, a geração de receitas está em ascensão. O crescimento das receitas financeiras, principalmente no crédito para pessoas físicas e no Programa Crédito do Trabalhador, que facilita a contratação de crédito consignado por trabalhadores de empresas privadas, tem contribuído positivamente. A presidente do BB, Tarciana Medeiros, ressaltou que “foram desembolsados R$ 13 bilhões no crédito do trabalhador, reafirmando nossa expectativa de crescimento em linhas com melhor retorno ajustado ao risco”.
Impacto das novas regras contábeis
A entrada em vigor, em janeiro do ano passado, de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que alterou a contabilidade das instituições financeiras teve um impacto significativo nos resultados do Banco do Brasil. As regras, que foram aprovadas em 2021, só começaram a valer em 2025 e modificaram o modelo de provisões, afetando a maneira como algumas despesas e receitas são reconhecidas. Isso resultou no não reconhecimento de R$ 1 bilhão em receitas de crédito.
Inadimplência em alta
Um dos dados alarmantes foi o aumento do índice de inadimplência, que considera atrasos superiores a 90 dias. Este índice subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025, sendo influenciado principalmente pelo agronegócio, onde o banco lidera na concessão de crédito. A inadimplência dentro da carteira de crédito do agronegócio finalizou o ano em 6,09%, um aumento preocupante de 1,25 ponto percentual somente no último trimestre. Na carteira de pessoas físicas, o índice também apresentou elevação, encerrando em 6,56%.
Crescimento do crédito mesmo com juros altos
Apesar do aumento das taxas de juros, o Banco do Brasil expandiu sua concessão de crédito em 2025, especialmente para pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada totalizou R$ 1,296 trilhão ao final do ano, uma alta de 1,4% no último trimestre e de 2,5% durante o ano. No segmento de crédito para pessoas físicas, o total de empréstimos atingiu R$ 356,96 bilhões, com um crescimento de 1,8% no trimestre e 7,6% no ano. O destaque ficou para a nova modalidade de crédito consignado para trabalhadores da CLT, que alcançou R$ 14,3 bilhões.
Desempenho por segmentos
No que diz respeito aos segmentos de crédito, a carteira para pessoa jurídica totalizou R$ 455,15 bilhões, com uma alta de 0,5% no trimestre e 0,6% no ano. Dentre esses, a carteira destinada a grandes empresas chegou a R$ 260,4 bilhões, com crescimento de 4,3% nos últimos 12 meses. Já as micro, pequenas e médias empresas tiveram uma contração de 7,9%, totalizando R$ 115,2 bilhões. No agronegócio, os empréstimos somaram R$ 406,13 bilhões, alta de 1,8% no último trimestre e de 2,1% no ano, com R$ 103,9 bilhões disponibilizados no plano Safra 2025/2026 e R$ 12,3 bilhões para a cadeia do agro.
Receitas e despesas em 2025
As receitas com prestação de serviços do Banco do Brasil alcançaram R$ 34,813 bilhões, uma queda de 1,9% em relação ao ano anterior. Apesar disso, houve crescimento nas receitas provenientes de administração de fundos, consórcios e mercado de capitais. As despesas administrativas aumentaram 5,1%, totalizando R$ 34,813 bilhões, refletindo os reajustes salariais e os investimentos em tecnologia e segurança cibernética.
Projeções para 2026
O Banco do Brasil traçou expectativas otimistas para 2026, prevendo uma recuperação nos lucros após a queda registrada em 2025. As projeções apontam para um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com crescimento da carteira de crédito variando de 0,5% a 4,5%. O banco também estima um aumento nas receitas de prestação de serviços entre 2% e 6%. Tarciana Medeiros enfatizou a adaptação da instituição ao cenário desafiador, afirmando: “Estamos comprometidos com a transparência e a dedicação de nossos colaboradores, visando uma recuperação dos patamares de rentabilidade que caracterizam o tamanho do BB”.
