Atriz e Ativista: O Legado de Brigitte Bardot
A atriz e ícone do cinema francês Brigitte Bardot faleceu neste domingo, dia 28, aos 91 anos. A informação foi confirmada pela fundação criada pela artista, que se dedicava à defesa do bem-estar animal. Bardot, nas últimas semanas, havia sido internada em Toulon, no sul da França, para a realização de procedimentos médicos. Durante esse período, ela tranquilizou seus fãs sobre sua recuperação, mas infelizmente não resistiu.
Reconhecida mundialmente nas décadas de 1950 e 1960, Brigitte Bardot conquistou os corações do público com filmes icônicos, como “E Deus Criou a Mulher” (1956), dirigido por Roger Vadim, e “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard. Sua carreira foi marcada por quase 50 filmes e 70 músicas, refletindo seu talento multifacetado. Desde 1973, contudo, dedicava-se integralmente ao ativismo em prol dos direitos dos animais, uma causa que se tornaria seu foco principal nas últimas décadas.
A Retirada do Cinema e a Nova Missão
Na década de 1970, Bardot decidiu se afastar das telas após atuar no filme “Colinot Trousse-Chemise” e, a partir de então, buscou uma vida mais tranquila em Saint-Tropez, na Riviera Francesa. Cansada da intensa pressão da fama e dos paparazzi, ela optou por se retirar da vida pública e se dedicar ao altruísmo em defesa dos animais. Em sua infância, Bardot já demonstrava interesse por essa causa, que se tornaria sua luta constante.
Ela fundou a Fundação Brigitte Bardot, que se tornou uma das vozes mais influentes na França em questões relacionadas ao bem-estar animal. Sua militância incluía ações contra a caça de focas, touradas, consumo de carne de cavalo e a utilização de animais em testes laboratoriais. Em diversas entrevistas, a artista revelou que esse ativismo a ajudou a lidar com os desafios psíquicos decorrentes da fama.
Controvérsias e Posições Políticas
Apesar de seu legado positivo como defensora dos animais, Bardot também enfrentou controvérsias em seus últimos anos. Em 2021, a atriz foi condenada por declarações consideradas racistas contra moradores da ilha de Reunião, segundo informações da agência France Presse. Tal episódio gerou reações de várias autoridades e organizações de direitos humanos.
Bardot expressou apoio a algumas figuras da extrema direita francesa, incluindo o partido Reunião Nacional e personalidades como Jean-Marie e Marine Le Pen. Embora se dissesse indiferente a debates políticos fora de sua causa animal, não hesitou em criticar publicamente governos franceses, ambientalistas e movimentos como o #MeToo.
Brigitte Bardot deixa um legado complexo, entre a celebração de sua carreira como atriz e sua fervorosa militância em defesa dos animais. Sua história é um testemunho da luta entre o reconhecimento e o desejo de privacidade, bem como das dificuldades e conquistas que ela viveu ao longo de sua vida.