Análise da Operação Firmeza Absoluta
A ação militar promovida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, conhecida como “Operação Firmeza Absoluta”, é considerada um divisor de águas na política externa americana e simboliza a erosão do multilateralismo que prevaleceu desde o fim da Segunda Guerra Mundial. De acordo com um militar venezuelano graduado, cerca de 40 pessoas foram mortas nos ataques, uma informação que gerou grande apreensão entre as principais economias da região, além de receber críticas da comunidade internacional.
O presidente Donald Trump, em uma coletiva de imprensa realizada em sua residência na Flórida, declarou de forma assertiva que os Estados Unidos assumiriam o controle da Venezuela. Trump enfatizou que as empresas americanas explorariam as vastas reservas de petróleo do país sul-americano, o que, segundo ele, ajudaria na reconstrução de sua infraestrutura.
— Vamos comandar a nação até que uma transição segura, adequada e sensata ocorra — disse o republicano, que comemorou o fato de que a operação foi realizada sem vítimas entre os americanos.
Em declarações anteriores, Trump não descartou a possibilidade de enviar tropas à Venezuela, afirmando que a saída do governo de Maduro era uma condição para evitar novas intervenções militares por parte dos Estados Unidos, o que poderia acarretar um aumento das tensões e gerar uma crise humanitária na região.
Um Futuro Incerto para a Venezuela
Embora Trump tenha se mostrado confiante em suas declarações, o futuro da Venezuela continua sendo uma incógnita. Durante a coletiva, ele afirmou que María Corina Machado, uma renomada figura da oposição e premiada com o Nobel da Paz, “não possui o apoio ou respeito necessários dentro do país”. Trump revelou que estava em negociações com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, para uma possível transferência de poder. No entanto, Rodríguez se manifestou, acusando Washington de conduzir uma “invasão sob pretextos enganosos”.
— Apenas um presidente existe neste país, e seu nome é Nicolás Maduro Moros — afirmou Rodríguez, mostrando uma clara resistência à intervenção americana.
Reações na América Latina e no Mundo
A captura de Maduro gerou diferentes reações no continente. Após uma reunião sobre as consequências do ataque americano, a ministra das Relações Exteriores interina do Brasil, Maria Laura da Rocha, declarou que Brasília reconhece Rodríguez como presidente interina da Venezuela. A diplomata ressaltou que as comunicações com o governo americano ocorrerão apenas na reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, convocada pela Colômbia.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou sua preocupação em relação às ações dos EUA, considerando que os bombardeios e a captura de Maduro ultrapassam limites aceitáveis e lembram os piores momentos de intervenção externa na América Latina. Ele defendeu que o diálogo e a cooperação são os caminhos a serem seguidos, um sentimento que foi apoiado por outros líderes da região, como México, Colômbia, Chile e Uruguai.
Controvérsias e Legalidade da Ação
A operação militar gerou polêmica sobre sua legalidade tanto nos Estados Unidos quanto no âmbito do direito internacional. Durante a coletiva, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio defenderam que não era necessária a aprovação do Congresso para a ação militar. Contudo, a oposição contesta essa afirmação e já cogita levar o caso à Suprema Corte.
A Casa Branca justificou a operação como uma resposta a determinações do Departamento de Justiça, destacando as acusações criminais contra Maduro, que incluem liderar uma organização narcoterrorista e envolvimento em tráfico de drogas. Essa retórica foi fundamental para que a ala ideológica do governo convencesse Trump a autorizar uma das maiores intervenções militares americanas na região em um século.
Os bombardeios a embarcações suspeitas de transportar drogas e o cerco econômico imposto à Venezuela foram estratégias adotadas para acelerar a queda do regime chavista, que, segundo observadores internacionais, estava em declínio após as eleições presidenciais do ano passado, onde a oposição ganhou o voto popular. Para a Casa Branca, a renúncia de Maduro representaria uma alternativa menos custosa politicamente do que uma invasão militar, especialmente considerando a desaprovação crescente de Trump nas pesquisas de opinião.
Próximos Passos e Desdobramentos
Com a nova estratégia de segurança nacional anunciada por Trump, que busca ajustar a presença militar e econômica dos EUA na América Latina, a administração americana tem se concentrado no combate à imigração em massa e ao narcotráfico, além de lidar com a crescente influência de adversários geopolíticos, como a China. Contudo, a captura de Maduro, amplamente divulgada nas redes sociais, incluindo uma imagem do ex-presidente algemado, serve como um indicativo do poderio americano e gera comparações com a recente retirada das tropas do Afeganistão sob a administração de Joe Biden.
Em meio a uma crise econômica interna, Trump parece direcionar seus esforços para ações de segurança nacional, buscando desviar a atenção dos desafios internos e da possibilidade de uma nova investigação por atos inconstitucionais. Com as eleições de novembro se aproximando, analistas já apontam Cuba, Colômbia e México como possíveis próximos alvos na estratégia americana.
