Ação Integrada na Feira de São Joaquim
Na manhã de quarta-feira (4), a Feira de São Joaquim se transformou em um verdadeiro centro de cidadania, com mais de mil atendimentos realizados por diversas secretarias e órgãos do governo. A iniciativa, parte da Caravana de Direitos Humanos, levou serviços essenciais aos feirantes, pescadores, saveiristas, marisqueiras e à comunidade local, eliminando a necessidade de deslocamento para outros bairros. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) esteve à frente da ação, oferecendo serviços como emissão gratuita da 2ª via de certidão de nascimento, Passe Livre para pessoas com deficiência, retificação de prenome e gênero, renegociação de dívidas e cadastro para vagas de estágio, entre outros.
Essa ação foi complementada pela 1ª Feira de Acolhimento, Saúde e Redução de Danos — ÒNÀ ÌTOJU, promovida pela Ayomidê Yalodê — Coletiva de Mulheres Negras e LBT’s e Saúde da População Negra. O evento fez parte do projeto ‘Feira Saúde Mais Perto’, da Secretaria de Saúde, que visa quebrar barreiras no acesso à saúde. A escolha do dia 4 de março não foi por acaso; a data coincide com as festividades da 5ª edição do Olojá — O Senhor do Mercado, uma manifestação cultural que agora integra o calendário oficial de festas populares de Salvador, com a participação de 96 Terreiros e 40 barracas.
Combate às Desigualdades e Fortalecimento da Comunidade
Felipe Freitas, Secretário de Justiça e Direitos Humanos, destacou a relevância do evento, afirmando: “Esse é um lugar importante, do ponto de vista econômico, para centenas de famílias de trabalhadores que vendem seus produtos aqui, mas também é um espaço de celebração das religiões de matriz africana e da cultura tradicional de Salvador. Viemos trazer serviços e aprender com a força desse lugar.” Ele enfatizou que a presença do governo na feira visa combater desigualdades e tornar os direitos mais acessíveis à população local.
A artista e comunicadora Denny Santana, presente na feira para gravar um programa durante o Olojá, teve uma experiência positiva com a Caravana de Direitos Humanos. “O que mais me agradou foi o acolhimento no atendimento e a facilidade. Muitas vezes, como Travesti, o acesso a certos serviços pode ser complicado. Aqui, o processo de documentação foi facilitado”, relatou. Denny aproveitou a oportunidade para iniciar a retificação de seu prenome e gênero com o apoio da equipe da Coordenação LGBT da SUDH/SJDH.
Integração entre Saúde e Direitos Humanos
Idealizado pela coletiva Ayomidê Yalodê, o Circuito das Feiras foi fortalecido pelo projeto ‘Feira Saúde Mais Perto’, promovido pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). A parceria resultou em mais de mil atendimentos, incluindo consultas preventivas, avaliações nutricionais, medições de pressão arterial, testes rápidos de IST’s e imunizações. Roberta Santana, Secretária de Saúde, ressaltou que saúde e direitos humanos devem sempre caminhar juntos. “Saúde é um direito humano fundamental que, na prática, não chega a todos. A Feira Saúde Mais Perto é um reconhecimento de que as pessoas têm o direito ao cuidado onde vivem e trabalham”, declarou.
Santana também reforçou a importância de ações como essa para combater desigualdades. “A aliança entre saúde e direitos humanos se traduz em escolhas concretas: chegar onde o Estado historicamente não chega e tratar cada cidadão como sujeito de direitos”, afirmou, destacando o compromisso do Governo da Bahia em atuar nas ruas e se fazer presente em cada território.
Ações Diversificadas para o Bem-Estar da Comunidade
Outras secretarias também participaram da ação, oferecendo uma variedade de serviços. A Secretaria de Políticas para as Mulheres proporcionou o Espaço Cuidar e o Programa Dignidade Menstrual; a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial trouxe o balcão do Crediafro e o Centro de Referência Nelson Mandela; e a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social implementou ações de redução de danos por meio do Programa Corra pro Abraço. Equipamentos como o CAPS-AD Gregório de Matos e iniciativas de Voluntárias Sociais também contribuíram para a oferta de serviços.
Altamira Simões, diretora de Advocacy e Relações Institucionais da Associação Cultural Olojá, comentou sobre a ação: “A Caravana de Direitos Humanos foi fundamental para apresentar à Feira possibilidades de equipamentos públicos e serviços disponíveis. Desde que iniciamos o cortejo do Olojá, temos buscado desmistificar a figura de Exu e promover um espaço de saúde e serviços que beneficie a população local.” A 5ª edição do Olojá é realizada pela Casa do Mensageiro e produzida pela Dantayó Produções, oferecendo uma oportunidade única de celebração e acesso a direitos fundamentais.
