O Crime e a Condenação
No drama que circunda o caso de Sashira Camilly, o réu Rafael Souza, agora com 27 anos, foi condenado a mais de 22 anos de prisão após um julgamento que durou cerca de 19 horas. Segundo os detalhes do processo, Rafael teria atraído a jovem para uma lanchonete, onde, de forma traiçoeira, introduziu uma substância na bebida dela. O que se seguiu foi um ato brutal: ele chamou um amigo para participar do crime, que por sua vez trouxe uma terceira pessoa. A jovem foi dopada e posteriormente esfaqueada de maneira cruel.
Após o assassinato, o corpo da vítima foi ocultado e seu carro transportado para Planalto, perto de Vitória da Conquista. A investigação revelou que o veículo seria vendido para quitar dívidas dos coautores do crime.
Detalhes da Acusação
Rafael foi detido em Vitória da Conquista, local do crime, mas o julgamento foi transferido para Feira de Santana a pedido da Justiça. A acusação destaca que Rafael desferiu múltiplos golpes com uma arma branca contra Sashira, além de ter a estrangulado.
O promotor de Justiça, Vitor Martins, afirmou que as evidências são claras: “Por todas as provas que estão no processo, foi Rafael o principal autor do fato. Ele premeditou o caso, planejou e executou.” A condenação foi considerada justa pelo promotor, que ressaltou a brutalidade do crime e o fato de ser evidentemente premeditado. Martins também comentou sobre uma mudança na estratégia da defesa de Rafael, que atrasou o andamento do júri, mas a juíza manteve o foco e não permitiu que a fase de diligências fosse reaberta.
Os Desafios do Processo
Luciana Silva, advogada assistente da acusação, disse à reportagem que a pena esperada era acima de 20 anos e que a condenação de Rafael simboliza uma resposta significativa contra o feminicídio: “O Conselho de Sentença dá uma resposta não só para as mulheres, mas para Vitória da Conquista e para o Brasil, que o feminicídio não é tolerável.” Ela ressaltou a importância das provas, tanto testemunhais quanto técnicas, que apontaram a participação de Rafael no crime.
O advogado Franklin Ribeiro, que também ajudou na acusação, expressou sua satisfação com a justiça feita em Feira de Santana: “O Tribunal do Júri respondeu às expectativas da sociedade. Estamos satisfeitos e prontos para as próximas etapas do processo.”
Defesa e Argumentos
Enquanto isso, a defesa de Rafael, liderada pelo advogado Robert Limoeiro, reconheceu a dificuldade do caso. Limoeiro mencionou que, apesar da condenação, tentaram trazer à tona elementos que poderiam mudar a percepção do júri, embora admitisse que o réu já tinha confessado o crime. Ele criticou a ocultação de provas que poderiam ter beneficiado a defesa, realçando a dinâmica emocional que permeia um tribunal: “O Tribunal do Júri é onde conseguimos demonstrar a dinâmica do que ocorreu, levando em consideração as emoções.”
Próximos Passos
Apesar da sentença, a defesa planeja recorrer da decisão, em busca de uma redução da pena. O Ministério Público já se prepara para contrabalançar qualquer recurso. O julgamento teve lugar sob a presidência da juíza Márcia Simões Costa, e o Conselho de Sentença foi composto por quatro homens e três mulheres. O primeiro a ser ouvido foi Célio Ribeiro, padrasto de Sashira, que não pôde permanecer até o final do julgamento, que se estendeu até as 4h da manhã de quarta-feira (11).
Além de Rafael, outros dois indivíduos estão envolvidos no caso: um está preso, enquanto o outro aguarda julgamento em liberdade como coautor do crime. O desfecho desse caso traz à tona a discussão urgente sobre a violência contra as mulheres e a necessidade de justiça em casos de feminicídio.
