Deputado e Sócio de Empresário São Ouvidos pela CPI
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o escândalo dos descontos indevidos no INSS se reuniu nesta segunda-feira para ouvir Paulo Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, e o deputado estadual do Maranhão, Edson de Araújo (PSB). Ambos estão no centro das investigações que envolvem a Polícia Federal e são acusados de participação em um esquema de corrupção.
Paulo Camisotti é o proprietário da Rede Mais Saúde, identificada durante as apurações como uma das principais beneficiárias dos recursos movimentados pela Associação de Moradia Beneficente de Cidadania (AMBEC), entidade sob suspeita em relação aos descontos ilegais. Seu pai, Maurício Camisotti, se encontra preso, acusado de envolvimento no mesmo esquema.
O documento de convocação da CPI destaca que o depoimento de Paulo é crucial para esclarecer as relações contratuais estabelecidas, além de identificar a participation de políticos ou servidores públicos na legalização dessas operações, buscando determinar responsabilidades pelos danos causados a milhares de aposentados e beneficiários do INSS.
No entanto, Paulo Camisotti recebeu autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para permanecer em silêncio durante seu depoimento. O presidente da CPI, Carlos Viana (Podemos-MG), se manifestou nas redes sociais contra essa decisão, afirmando que o direito ao silêncio, embora garantido pela Constituição, não deve ser usado para obstruir investigações, principalmente em casos que afetam a vida de aposentados, viúvas e órfãos.
Acusações e Tensão Entre Deputados
Por outro lado, Edson de Araújo, que é presidente licenciado da Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão (FECOPEMA), também é mencionado nas investigações. O deputado foi acusado pelo deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), vice-presidente da CPI, de ter feito ameaças contra ele. Araújo nega as acusações.
Em conversas que foram divulgadas pelo jornal O Globo, Araújo é retratado como alguém que se dirigiu a Duarte Jr. de forma agressiva, chamando-o de “palhaço, irresponsável e incompetente”, além de alegar nunca ter recebido qualquer valor de aposentados. A tensão cresce quando, em resposta a questionamentos sobre uma possível ameaça, Araújo teria afirmado que “tô porque”.
Duarte Jr. relatou que recebeu três ameaças explícitas de Araújo, descrevendo essa reação como uma retaliação ao seu discurso na CPI. O deputado federal lembrou que o nome de Araújo aparece no relatório da Polícia Federal, que aponta a transferência de R$ 5 milhões a ele da Companhia Brasileira de Prestação de Assistência (CBPA).
À medida que a CPI avança com os depoimentos, a expectativa é que mais detalhes sobre o esquema de corrupção venham à tona, permitindo que as autoridades responsabilizem aqueles que têm vínculos com as irregularidades no INSS. A investigação, que já trouxe à luz vários elementos de coerção e desvio, promete desdobramentos significativos nos próximos dias.
