Mudanças na Educação para Combater a Violência de Gênero
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, anunciou que o governo está avançando na regulamentação da lei que incorpora, no currículo da educação básica, temas relacionados aos direitos humanos e à prevenção da violência contra crianças, adolescentes e mulheres. Essa importante medida abrange desde a educação infantil até o ensino médio, integrando-se ao Pacto Nacional Contra o Feminicídio, lançado em fevereiro no Palácio do Planalto com a participação dos três Poderes.
O objetivo é desenvolver propostas eficazes para reduzir os alarmantes índices de violência de gênero que persistem no Brasil. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a ministra deixou claro que não se trata de uma simples campanha ou de uma disciplina isolada. “É para mudar os currículos para as crianças do ensino fundamental e do ensino médio. Não é uma campanha ou uma disciplina especial, é para que os conteúdos tenham isso”, destacou Lopes. O anúncio oficial da inclusão desses conteúdos no currículo deve ocorrer em março, coincidentemente no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, em colaboração com o ministro da Educação, Camilo Santana.
Dados Alarmantes sobre o Feminicídio no Brasil
Os números de feminicídio no Brasil são alarmantes. Em 2025, o país atingiu um recorde de feminicídios, com pelo menos 1.470 casos registrados em todo o território nacional, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde que o feminicídio foi tipificado como crime, em 2015, um total de 13.448 mulheres foram vítimas desse tipo de violência no Brasil.
Na Bahia, o cenário também é preocupante, com 208 registros de tentativas de feminicídio entre janeiro e outubro de 2025. O estado lidera as estatísticas na região Nordeste em números absolutos e ocupa a segunda posição em tentativas de feminicídio, apenas atrás de São Paulo, que registrou 552 ocorrências. Esses dados ressaltam a urgência de ações efetivas no combate à violência contra as mulheres e a importância da educação na formação de uma sociedade mais justa e igualitária.
Essa inserção de conteúdos relacionados aos direitos humanos e à prevenção da violência de gênero nas escolas é vista como uma estratégia essencial para conscientizar as novas gerações sobre a gravidade da violência de gênero e os direitos das mulheres. Os especialistas acreditam que, ao educar desde cedo sobre igualdade e respeito, é possível criar um ambiente escolar mais seguro e que fomente o respeito mútuo entre os gêneros.
