Uma Nova Era Política no DF
A recente crise enfrentada pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em decorrência do caso Master, abriu espaço para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) se consolidasse como a principal articuladora política da direita na região. Essa mudança de cenário, que não passa despercebida no meio político, poderá ter impactos significativos nas próximas eleições.
Antes, com a força e influência de Ibaneis, o grupo político parecia coeso. No entanto, agora a dinâmica se alterou, e Michelle, que já é vista como uma figura central, deverá atuar intensamente como cabo eleitoral em eventos políticos locais. O PL, por sua vez, já está alinhando suas estratégias, e a chapa puro-sangue contará com a presença dela e da deputada federal Bia Kicis como candidatas ao Senado.
Após a veiculação da notícia sobre a queda de Ibaneis, o político Arruda se manifestou, ressaltando que, com as mudanças na Lei da Ficha Limpa em 2025, ‘não há dúvida de que o prazo de inelegibilidade’ se encerrará antes das próximas eleições. Sua declaração, que pode ser lida na íntegra no comunicado ao fim deste texto, aponta para uma possível reviravolta nas aspirações políticas do Distrito Federal.
Desafios Internos no PL
Embora haja descontentamento entre alguns políticos do PL, tanto na Câmara quanto no Senado, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, parece estar cuidando de sua posição. Segundo informações de parlamentares, ele preferiu se manter neutro, deixando as rédeas da legenda nas mãos de Michelle. O que significa que ela terá um papel decisivo sobre os rumos que o partido tomará na região.
Contudo, Costa Neto deu liberdade para que congressistas apoiem outros candidatos, especialmente Arruda, que se destaca como a opção predileta do PL local, caso Michelle decida não apoiar Celina Leão. O deputado Alberto Fraga (PL-DF) afirmou, em entrevista à Coluna do Estadão, que a aliança com o partido é viável, mas com a possibilidade de apoiar o candidato Arruda, se necessário.
A Queda de Ibaneis e suas Consequências
Nos últimos meses, a reputação de Ibaneis foi severamente abalada, principalmente após a repercussão do seu envolvimento no caso do Banco Master. Embora ainda manifeste interesse em concorrer a uma vaga no Senado, sua imagem já foi comprometida. Ele foi eleito em 2018 com quase 70% dos votos e reeleito em 2022, mas agora se vê em uma posição vulnerável.
Fontes próximas ao cenário político revelam que Michelle estaria, inclusive, se divertindo com a situação do governador. Desde o início da crise, ela observou de perto as movimentações na Câmara Legislativa do DF e acompanhou a disputas entre deputados distritais e Ibaneis, com certa dose de satisfação. O pedido de abertura de CPI contra o governador não passou despercebido e foi um marco na relação entre o PL e o emedebista.
Recentemente, a votação que aprovou um socorro ao BRB (Banco de Brasília), que teve um resultado apertado de 14 votos a 10, resultou na demissão de funcionários do governo indicados por deputados que se opuseram à proposta. Essa manobra deixou claro o clima tenso entre o governador e sua base aliada.
Questões Legais e Futuras Eleições
O Ministério Público, ao analisar o caso de Ibaneis, reconheceu a ligação entre as ações que o envolvem. Dessa maneira, foi solicitado que a 2ª Vara da Fazenda Pública se encarregue do julgamento. Com isso, a contagem de prazos para possíveis condenações é um fator crucial que pode afetar a elegibilidade do governador.
Com a primeira decisão condenatória ocorrida em 9 de julho de 2014, o prazo de inelegibilidade de oito anos se encerrou em 9 de julho de 2022, o que pode permitir que Ibaneis participe das eleições de 2026, de acordo com a nova legislação. Mesmo que se considere uma interpretação mais rígida e sem reconhecer a conexão entre processos, a nova norma também estabelece um limite de 12 anos para inelegibilidades, encerrando-se em 9 de julho de 2026, antes das eleições de outubro do mesmo ano.
Dessa forma, sob qualquer avaliação da nova legislação, não existe impedimento para a participação de Ibaneis nas próximas eleições, o que pode reconfigurar ainda mais o cenário político do Distrito Federal nos próximos meses.
