O Impacto das Políticas Públicas na Economia Brasileira
Historicamente, as políticas estruturais costumam ser negligenciadas por governantes, e o atual governo não é exceção a essa regra. Apesar da reforma tributária que implementou o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), a administração tem priorizado o aumento dos gastos públicos e benefícios setoriais. Liberar recursos financeiros é uma tarefa mais simples do que realizar reformas que realmente melhorem a estrutura da economia.
Essa estratégia resulta em uma vulnerabilidade acentuada do país em momentos de crise, como o que estamos vivendo atualmente. Com a repetição da fórmula já desgastada de aumento de verbas e benefícios, o governo busca proteger a sociedade, especialmente em um cenário eleitoral competitivo. O governo petista, que se aproxima de 2026, enfrenta um desgaste considerável, especialmente quando iniciativas significativas para o crescimento, como os avanços na área de transportes através de concessões, são quase ignoradas.
Mesmo antes do recente conflito no Irã, a economia brasileira já apresentava sinais de fraqueza, o que certamente não ajudaria na aprovação do governo. A desaceleração do crescimento, impulsionada pelo aumento das taxas de juros e pela lenta queda da inflação, além do crescente endividamento da população, contribuem para um clima de descontentamento.
Crises Externas e Suas Consequências Internas
A guerra no Irã representa uma ameaça adicional, podendo criar uma tempestade perfeita para o governo. Embora a posição do Brasil no cenário mundial seja relativamente favorável, devido ao petróleo ser um dos principais produtos de exportação, isso não significa que o país sairá ileso do conflito. O impacto do choque nos custos é significativo, especialmente para a agricultura e a produção de alimentos destinados ao mercado interno.
A inflação nos preços dos alimentos, que já começa a ser observada, é um grande desafio para qualquer governante. Além disso, há uma perspectiva de menor espaço para cortes nas taxas de juros, o que pode afetar ainda mais o crescimento econômico neste ano.
Para tentar mitigar os efeitos da guerra e apaziguar o eleitorado insatisfeito, o governo tem reagido com uma série de medidas que podem se revelar temporárias. Já se nota um aumento nos preços dos combustíveis, em um setor que se encontra cada vez mais concentrado, o que levanta questões que deveriam ser examinadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). É natural que os empresários realizem remarcações preventivas de preços, uma vez que precisam de caixa para comprar produtos que podem encarecer no futuro.
Riscos e Desafios das Medidas Governamentais
As políticas adotadas pelo governo também carregam riscos, como o desincentivo ao investimento no setor de petróleo e gás devido ao intervencionismo estatal. A proposta de cortes de tributos sobre combustíveis não é uma exclusividade do Brasil. Contudo, com os ganhos de arrecadação oriundos do setor petrolífero, essa medida não gera grandes preocupações. Já as subvenções utilizadas para evitar ajustes nos preços representam um risco maior, perpetuando a prática de controle de preços da Petrobras como uma estratégia política.
O Brasil falha em criar um ambiente de segurança para atrair investimentos, o que é crucial para reduzir a dependência do país em fertilizantes importados. As políticas recentes apenas contribuem para mais atrasos e incertezas.
Os empréstimos subsidiados destinados às companhias aéreas, em resposta ao aumento do preço do querosene de aviação, não enfrentam as questões centrais do setor. Isso resulta em uma postergada revisão de políticas para um setor vital em um país de grande dimensão como o Brasil, onde é imperativo aumentar a concorrência e a capilaridade das operações em todo o território nacional.
Medidas Habitacionais e Eficácia das Políticas
Outras ações seguem o mesmo padrão, como os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a distribuidoras de energia, que apenas adiam o aumento das tarifas. Tal como no passado, essas medidas proporcionam um alívio momentâneo que posteriormente resulta em uma elevação das tarifas de energia.
As políticas habitacionais, que visam beneficiar famílias de classe média, também precisam ser repensadas. De fato, deveriam ser mais focadas nas camadas menos favorecidas da população, pois os altos custos dessas iniciativas mostram-se ineficazes em reduzir rapidamente o déficit habitacional. O ideal seria coordenar esforços entre diferentes esferas do governo para eliminar os entraves à construção civil, permitindo que a oferta de moradia para a classe média reaja mais adequadamente às alterações de preços.
