Um Olhar Cinematográfico sobre o Feiraguay
O Feiraguay, conhecido por muitos como um dos principais pontos de comércio popular de Feira de Santana, se destaca como um verdadeiro ícone cultural e agora se transforma em tema de um documentário. O filme, intitulado “Feiraguay”, é dirigido por Francisco Gabriel Rêgo e traz à tona as vivências de pessoas que movimentam esse centro comercial, quase um ponto turístico pela sua fama.
O documentário tem sua estreia marcada para a 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, festival que acontece entre março e abril, e já foi selecionado para a Competitiva Baiana da mostra. Com uma duração de 68 minutos, a obra mergulha nas experiências de quem faz parte desse espaço singular, revelando uma nova perspectiva sobre a feira, além da simples transação comercial.
Rêgo, que cresceu em Feira de Santana, conta que a ideia do filme nasceu na infância, quando frequentava o Feiraguay. Ele afirma: “Sempre vi o Feiraguay como um espaço essencial para entendermos a nossa cidade. Acredito que ele é fundamental para compreendermos as características de Feira de Santana e suas transformações ao longo do tempo”.
Feiraguay: Muito Além do Comércio
Para o diretor, o Feiraguay simboliza mais que um centro de compras. Ele está intrinsecamente ligado às tradições locais e à rica cultura da cidade. “O documentário busca mostrar isso: o Feiraguay como um espaço que conversa com aspectos importantes que contribuíram para a construção da história de Feira de Santana”, ressaltou Rêgo.
O filme retrata como a feira sintetiza as narrativas, transformações e identidades dos moradores. “Falar sobre o Feiraguay é, de certa forma, falar da história de Feira de Santana. As pessoas que ali estão representam diferentes momentos, com sonhos variados. O espaço é o reflexo desse encontro e da construção de oportunidades”, explica.
O processo de produção do documentário foi minucioso e durou cerca de oito meses, envolvendo desde a pré-produção até a finalização. O projeto contou com a colaboração da Pau Ferro Produções e do Coletivo Urgente de Audiovisual (Cual), uma iniciativa que se dedica a desenvolver curtas e longas-metragens em várias cidades da Bahia.
Histórias Vivas e Memórias Compartilhadas
A escolha dos personagens para o documentário foi realizada com base em uma pesquisa de campo, especialmente com o apoio da Associação de Vendedores Ambulantes de Feira de Santana (AVAMFS). A equipe conversou com comerciantes e coletou relatos que vão desde vendedores que percorrem o Paraguai em busca de mercadorias até aqueles que encontraram no comércio uma forma de se estabelecer na cidade. Essas histórias, repletas de memórias de deslocamentos e desafios, são essenciais para compor a narrativa do filme.
Além dos depoimentos, o documentário utiliza imagens de arquivo e sons do cotidiano local, construindo uma história que valoriza tanto a memória coletiva quanto a paisagem urbana de Feira de Santana. Rêgo explica que a proposta é retratar o Feiraguay como uma “paisagem histórica”, capaz de revelar as mudanças da cidade ao longo dos anos. “Filmar Feira de Santana foi uma maneira de reconstruir um olhar sobre a cidade, a partir das nossas histórias, memórias e experiências”, conclui.
Exibições e Recepção do Documentário
A estreia do documentário no Panorama Internacional Coisa de Cinema foi recebida com grande entusiasmo pela equipe. Para o diretor, ter a oportunidade de exibir o filme em Salvador é algo especial: “Pensei logo na chance de ver Feira de Santana e o Feiraguay projetados na tela do Cine Glauber Rocha. Isso representa um reconhecimento das histórias e dos protagonistas desse espaço”, celebra.
O festival ocorre entre os meses de março e abril, e o documentário será exibido em Salvador e Cachoeira. A primeira sessão aconteceu na sexta-feira (27), com um debate no Cine Theatro Cachoeirano, onde o público pôde interagir e dialogar sobre as temáticas abordadas no filme.
