Evento marca início de mobilização para fortalecer o SUS
A Bahia sediou, na quarta-feira, 18 de março de 2026, a primeira edição dos Encontros Estaduais de Saúde deste ano. O evento, realizado no Fiesta Hotel em Salvador, reuniu cerca de 1.200 pessoas, entre conselheiros de saúde, gestores, trabalhadores do setor e representantes de movimentos sociais. Com o tema “SUS, democracia e soberania: cuidar do povo é cuidar do Brasil”, o encontro foi promovido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) em colaboração com o Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES) e o Ministério da Saúde, contando ainda com o apoio da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Esta iniciativa marca o início de uma mobilização voltada para fortalecer o controle social e preparar a 18ª Conferência Nacional de Saúde, programada para julho de 2027.
Preparação para conferências municipais e nacionais
A realização do encontro na capital baiana faz parte do cronograma de articulação que antecede as conferências municipais e, posteriormente, a etapa nacional de saúde pública. O objetivo central foi reunir diversos segmentos do sistema de saúde para discutir diretrizes, prioridades e mecanismos de participação popular dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com Marcos Gêmeos, presidente do CES Bahia, o evento desempenha uma função estratégica na mobilização social e institucional. Ele ressaltou que os encontros promovem a união de representantes do controle social, evidenciando a relevância da população na formulação de políticas públicas mais eficazes, reforçando que um SUS forte depende da participação social ativa.
Debates abordaram desafios do SUS
A programação incluiu mesas temáticas e discussões sobre a qualificação do controle social, financiamento adequado do SUS e modelos de atenção à saúde. Esses tópicos dialogam com as questões estruturais do sistema público, especialmente em relação ao financiamento, à gestão participativa e à oferta de serviços em diversas localidades.
A interação entre representantes da gestão pública, conselhos de saúde, trabalhadores e movimentos sociais visou criar uma agenda de diálogo entre a formulação política e a experiência prática. A diversidade de participantes permitiu ampliar o debate sobre os desafios persistentes enfrentados pela saúde pública e os caminhos para fortalecer as instâncias de decisão coletiva.
A programação também incorporou uma agenda cultural e manifestações regionais, enriquecendo o evento com elementos simbólicos e identitários, reforçando a dimensão social do encontro e a conexão entre a saúde e a participação cidadã nas realidades locais.
Defesa do SUS e do controle social
Na abertura do evento, a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, destacou que o encontro representa um espaço de diálogo e construção coletiva em prol de um SUS mais fortalecido. Ela enfatizou que este primeiro momento de mobilização deve contribuir para a formulação de propostas consistentes que possam ser debatidas em âmbito nacional e integradas ao fortalecimento do sistema.
A fala da secretária posiciona a iniciativa como parte de uma estratégia mais ampla de articulação entre as esferas públicas, controle social e sociedade civil. Ao enfatizar a elaboração de propostas para discussão nacional, o discurso evidencia a intenção de dar uma densidade política e técnica às etapas preparatórias que culminarão na conferência de 2027.
Importância da participação popular nas políticas de saúde
Eliane Cruz, chefe de gabinete do Ministério da Saúde, que representou o ministro Alexandre Padilha, ressaltou a importância da participação popular na construção de políticas públicas de saúde. Durante sua fala, ela reforçou que o encontro é uma defesa da democracia e do SUS, sublinhando a interrelação entre saúde pública, participação social e a institucionalidade democrática.
Conselhos de saúde como mediadores
A primeira edição de 2026 dos Encontros Estaduais de Saúde na Bahia sublinhou o papel crucial dos conselhos de saúde como mediadores entre o Estado e a sociedade. Essas entidades são uma parte fundamental do SUS e funcionam como espaços permanentes de deliberação, acompanhamento e fiscalização das políticas públicas do setor.
Com a participação de cerca de 1.200 pessoas, o evento demonstrou a capacidade de mobilização da pauta sanitária no estado, evidenciando a relevância das instâncias participativas na formulação de propostas para o futuro da saúde pública. O entusiasmo do público mostra que o debate sobre o SUS vai muito além da gestão governamental, sendo também ancorado na ação organizada da sociedade civil.
Próximos passos nas conferências de saúde
O encontro realizado em Salvador não encerra o processo de discussão, mas inaugura uma fase de mobilização que deverá avançar pelos municípios antes de chegar à conferência nacional. As conferências municipais de saúde terão um papel decisivo na consolidação das pautas locais e na definição das propostas que serão levadas às próximas instâncias de debate.
Esse percurso é tradicional na estrutura participativa do SUS, representando um dos mecanismos mais significativos de escuta e pactuação entre gestores, trabalhadores e usuários do sistema. As entidades envolvidas esperam que esse processo resulte em contribuições efetivas que dialoguem com os desafios atuais da saúde pública no Brasil.
Ao assumir esse caráter preparatório, o Encontro Estadual de Saúde realizado na Bahia reforça a lógica de construção gradual e coletiva das diretrizes do setor. A defesa do financiamento, do controle social e da participação popular se posiciona como um eixo central da agenda que deverá guiar os debates até 2027.
