Desempenho do Agronegócio Gaúcho em 2025
As exportações do agronegócio no Rio Grande do Sul, em 2025, apresentaram um resultado abaixo do esperado, totalizando 15,089 bilhões de dólares. Esse valor representa uma queda de 4,1% em relação ao ano anterior, que foi de 15,731 bilhões. Os dados referentes aos embarques do ano foram divulgados pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Em termos de volume, o estado enviou 24,4435 milhões de toneladas em 2025, uma diminuição de 5,9% comparado às 22,996 milhões de toneladas de 2024.
Conforme a Farsul, essa queda tanto no valor quanto no volume das exportações é atribuída, principalmente, à escassez de soja em grão, devido à estiagem que afetou gravemente a produtividade. No caso da soja, foram exportadas 12,532 milhões de toneladas em 2025, uma redução expressiva em relação às 14,532 milhões de toneladas do ano anterior, resultando em uma diminuição de 14%. “Observamos uma alta volatilidade no mercado da soja ao longo do ano. Os efeitos da estiagem começaram a ser notados já em maio e, infelizmente, o quadro não melhorou muito até o final do ano, mesmo com um bom desempenho em agosto nas exportações para a China”, destacou a Farsul em sua nota.
Desafios e Oportunidades nas Exportações de Carnes
O setor de carnes, por sua vez, também enfrentou dificuldades. A carne de frango, especialmente, sofreu com os “choques sanitários e logísticos”. Em maio, as vendas para a China foram suspensas devido à contaminação pela doença de Newcastle, e o mercado do Oriente Médio também enfrentou desafios por conta da gripe aviária. Contudo, no segundo semestre, houve sinais de recuperação, com a ampliação dos mercados nos Emirados Árabes Unidos, Japão e Filipinas. Apesar de alguns contratempos, como atrasos nos embarques em novembro, dezembro trouxe resultados positivos, especialmente no Oriente Médio e na Europa.
As Filipinas se destacaram como um parceiro comercial importante para a carne suína, representando 50% do valor e volume exportado em outubro, o que proporcionou um desempenho satisfatório, apesar da queda nas vendas para a China. Em contrapartida, a carne bovina se mostrou um dos pilares do agronegócio gaúcho em 2025. A China se manteve como o maior comprador, mas houve crescimento nas exportações para as Filipinas e o Reino Unido. Entretanto, as tarifas americanas impactaram negativamente o setor, embora isso tenha sido atenuado pelas vendas para o México e o Canadá. Em dezembro, comparado ao mesmo mês de 2024, a carne bovina apresentou um desempenho notável, com aumentos de 131% em valor e 108% em volume.
Setor Arroz e Desempenho Geral do Agronegócio
Em relação ao arroz, mesmo com um ano marcado por oscilações na oferta, o setor conseguiu encerrar 2025 com um saldo positivo nas exportações, totalizando 1,586 milhão de toneladas do grão. O mês de dezembro registrou um crescimento expressivo de 89% no volume exportado. Por outro lado, o fumo e seus derivados enfrentaram um ano volátil, com quedas acentuadas nas vendas para alguns países europeus no terceiro trimestre e exportações zeradas para o Egito em novembro, resultando em um impacto de 107 milhões de dólares. As vendas para a Europa ajudaram a compensar um pouco essas perdas, com resultados satisfatórios no final do ano.
No contexto da guerra comercial com os Estados Unidos, houve uma queda de 30% no valor exportado na comparação de dezembro de 2024 para dezembro de 2025, mesmo com um aumento de 29% no volume, o que indica um impacto negativo nas margens devido às tarifas aplicadas.
Parcerias Comerciais e Perspectivas Futuras
Os principais destinos das exportações gaúchas em dezembro foram, na ordem, a Ásia (excluindo o Oriente Médio), com um total de 763 milhões de dólares e 1,23 milhão de toneladas. A Europa ficou em segundo lugar, alcançando 286 milhões de dólares, sendo 227 milhões para a União Europeia. A África ocupou a terceira posição com 99 milhões de dólares. No que diz respeito aos países, a China figura como o principal comprador, com 448 milhões de dólares e 31% da participação no valor total. Em seguida, aparecem a Bélgica (4%), Países Baixos (3,8%), Bangladesh (3,7%), Vietnã (3,5%) e Filipinas (3,5%).
