Crescimento nas Exportações de Carnes e Desafios nas Importações
No início de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram impressionantes US$ 10,7 bilhões, incluindo alimentos, grãos e produtos derivados da agropecuária, como a celulose. O destaque vai para o setor de carnes, que somou US$ 2,44 bilhões em vendas externas, marcando um crescimento de 25% em comparação ao mesmo mês de 2025.
Tradicionalmente, janeiro é um mês forte para as carnes, e neste ano não foi diferente. As receitas provenientes da proteína animal superaram em 194% as da soja, que ainda está em suas fases iniciais de exportação. A carne bovina se destacou, com um total de US$ 1,3 bilhão em vendas apenas no último mês. As cotas impostas pelos Estados Unidos e pela China à carne brasileira têm levado os exportadores a intensificarem suas vendas logo no início do ano, preenchendo a cota anual dos EUA nos primeiros dias de janeiro.
Outro aspecto relevante é o crescimento das vendas externas de carne de frango “in natura”, que alcançaram US$ 795 milhões, um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o setor de café, apesar de manter preços elevados, registrou uma queda de 24% nas receitas, totalizando US$ 1 bilhão, devido a uma redução no volume exportado. Além disso, as exportações de celulose também mostraram um desempenho inferior, caindo 6% e alcançando US$ 957 milhões, enquanto o açúcar viu uma queda significativa de 27%.
Desafios nas Importações de Fertilizantes
No que diz respeito às importações, o cenário não é tão favorável. As compras de fertilizantes apresentaram um recuo de 4% em relação a janeiro de 2025. Embora o volume tenha diminuído, os preços médios subiram 5%, levando a um aumento de 1% nos gastos gerais do país com esses insumos. De acordo com a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o total gasto com a importação de fertilizantes atingiu US$ 935 milhões no mês passado.
A Tilápia em Ascensão e o Crédito no Agronegócio
Um fenômeno notável neste início de ano é a inclusão da tilápia na lista de itens da pesquisa de inflação da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Com isso, a tilápia se consolida como um alimento cada vez mais relevante na mesa dos brasileiros. O Brasil, que figura como o quarto maior produtor mundial de tilápia, produziu cerca de 630 mil toneladas no ano passado, com 97% desse volume consumido internamente. O consumo per capita é de 3 kg por habitante, representando 30% do consumo médio nacional de peixes.
Dados da Peixe SP (Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União) indicam que a produção de tilápia tem crescido anualmente, o que impulsiona tanto o consumo interno quanto o potencial de exportação. Contudo, as tarifas aplicadas pelo governo americano têm dificultado a competitividade do setor no mercado externo. A produção de tilápia está disseminada por quase todo o país, exceto na região Norte, onde peixes nativos, como o tambaqui e o pirarucu, são predominantes. Embora o Tocantins também tenha produção, esta ainda é modesta em comparação aos líderes Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.
Por fim, o setor agropecuário enfrenta um desafio adicional com o acesso ao crédito. Diante de juros altos e uma maior seletividade nos financiamentos tradicionais, o agronegócio tem buscado alternativas, como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 41,4%, alcançando R$ 800 bilhões. Pedro Da Matta, da Audax Capital, salienta que esse crescimento representa uma mudança estrutural no financiamento do agronegócio, criando uma ponte direta entre a economia real e o mercado de capitais. O crédito bancário, segundo ele, tornou-se lento e caro para diversos segmentos do setor.
