Mudanças nas Inspeções Fitossanitárias
Em um movimento que pode revolucionar a fruticultura em Santa Catarina, líderes do agronegócio do estado celebraram um acordo inédito no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A reunião contou com a participação de importantes figuras, como Antônio Marcos Pagani de Souza, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC, José Zeferino Pedroso, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (FAESC), e Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM). Juntos, eles dialogaram com o superintendente Francisco Powell sobre a implementação de inspeções fitossanitárias diretamente na origem da produção.
O Que Muda com o Novo Procedimento
Até recentemente, as exportações de maçã de Santa Catarina enfrentavam um obstáculo significativo: as certificações fitossanitárias, essenciais para garantir a sanidade das frutas nos mercados internacionais, eram realizadas apenas nos portos. Esse processo obrigava os produtores a percorrer longas distâncias até os terminais do Rio Grande do Sul ou Paraná, resultando em apenas 20% das exportações ocorrendo pelos portos catarinenses. Com o novo acordo, as inspeções poderão ser feitas nos Packing Houses de Fraiburgo e São Joaquim, eliminando etapas desnecessárias e otimizando o processo.
Impactos Diretos para Produtores e Economia
As mudanças trazem benefícios significativos para os produtores. Primeiramente, a redução de custos é notável: com os containers permanecendo menos tempo nos portos, as despesas com armazenagem e demurrage, que podem chegar a milhares de reais por dia, serão cortadas. Além disso, as frutas chegarão mais frescas aos destinos internacionais, minimizando perdas por deterioração e garantindo que as maçãs atendam às exigências rigorosas de importadores europeus e asiáticos.
A agilidade e a competitividade também serão ampliadas, permitindo que os exportadores de Santa Catarina atuem em igualdade de condições com seus concorrentes do Rio Grande do Sul e Paraná, onde esse modelo já está em funcionamento. Estima-se que a nova abordagem possa resultar em um aumento de 50% nas exportações via portos locais, gerando mais receitas e empregos em cidades como São Joaquim e Fraiburgo.
Benefícios Econômicos para Santa Catarina
Com mais divisas sendo retidas no estado, a cadeia produtiva se fortalecerá, beneficiando desde pequenos pomares familiares até grandes agroindústrias. O impacto econômico é estimado em cerca de R$ 100 milhões anuais em circulação local. “É um ganho histórico para a fruticultura catarinense. A fruta sai da origem certificada, chega mais rápida e competitiva ao exterior, e todo mundo sai ganhando: produtores, transportadores, exportadores e nossa economia”, destacou Pagani de Souza.
São Joaquim, já considerado o maior polo de maçãs de altitude do Brasil, vê seu protagonismo aumentado, consolidando Santa Catarina como referência em qualidade e inovação na agroexportação.
