Documentário Revela a Alma do Feiraguay
Feiraguay, um centro comercial que se tornou um verdadeiro ponto turístico, é conhecido entre os baianos por ser pioneiro na importação de tendências do varejo, tanto a nível nacional quanto internacional. Agora, esse espaço emblemático de Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia, ganhou um documentário que promete mostrar sua essência.
Intitulado “Feiraguay”, o filme do diretor Francisco Gabriel Rêgo explora uma nova dimensão da feira, apresentando as histórias e vivências de quem mantém esse importante espaço comercial. A estreia do documentário ocorrerá durante a 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, após sua seleção na Competitiva Baiana do festival.
Com uma duração de 68 minutos, o longa-metragem é inspirado nas experiências pessoais do diretor, que cresceu frequentando as barracas e os corredores do comércio popular. “A ideia do filme surgiu na minha infância, quando percebi a importância do Feiraguay para entender a nossa cidade. É um lugar fundamental para absorver as características e as transformações de Feira de Santana”, revela Rêgo.
Feiraguay: Mais que um Comércio, um Patrimônio Cultural
Para o cineasta, o documentário vai além de uma simples representação comercial. Ele se propõe a ligar a feira às tradições dos moradores e à cultura da cidade. “Tentamos mostrar como o Feiraguay é um espaço que dialoga com aspectos cruciais que ajudaram a formar a história de Feira de Santana”, acrescenta o diretor.
O filme revela que o Feiraguay é mais do que um centro de compras; ele é um microcosmo da própria história da cidade. Ao retratar as histórias de diversos comerciantes, a produção busca capturar a trajetória coletiva que molda a identidade local. “Falar do Feiraguay é falar da história de Feira de Santana. São histórias de pessoas que chegaram em diferentes períodos, cada uma com seus próprios sonhos e trajetórias. Esse espaço representa um entrave de encontros e oportunidades”, pontua Rêgo.
Histórias de Vida e Superação
A escolha dos personagens do documentário foi realizada após uma pesquisa de campo detalhada, em parceria com a Associação de Vendedores Ambulantes de Feira de Santana (AVAMFS). A equipe se aventurou pelo espaço, conversando com os comerciantes e registrando memórias repletas de deslocamentos, trabalho e luta pela sobrevivência.
Os relatos abrangem desde vendedores que se arriscavam a viajar até o Paraguai em busca de mercadorias, até aqueles que encontraram no comércio uma forma de se estabelecer na cidade. O documentário não se limita a entrevistas; ele também incorpora imagens de arquivo, sons e registros do cotidiano, tudo isso para construir uma narrativa que valoriza tanto a memória coletiva quanto a paisagem urbana de Feira de Santana.
Conforme o diretor explica, a ideia é apresentar o Feiraguay como uma “paisagem histórica”, capaz de refletir as transformações que a cidade experimentou ao longo do tempo. “Filmar Feira de Santana foi uma maneira de reconstruir um olhar sobre a cidade, fundamentado em nossas histórias, memórias e vivências”, destaca Rêgo.
Exibições e Impacto Cultural
A estreia do documentário no Panorama Internacional Coisa de Cinema foi marcada por grande entusiasmo entre a equipe. Para Francisco Gabriel Rêgo, exibir o filme em Salvador é uma oportunidade única. “Assim que pensei na chance de ver o Feiraguay e Feira de Santana projetados na tela do Cine Glauber Rocha, percebi que isso representa o reconhecimento das histórias e das pessoas que vivem nesse espaço tão significativo”, comenta o diretor.
O festival, que acontece entre março e abril, contará com exibições do documentário em cidades como Salvador e Cachoeira. A primeira sessão ocorreu na sexta-feira (27), seguida de um debate no Cine Theatro Cachoeirano. As próximas exibições estão programadas para o Cine Glauber Rocha, com a primeira reprise no dia 1º de abril às 13h10.
