Celebrando a Ancestralidade
No último sábado (28), as ruas da Feira de São Joaquim, localizada na Cidade Baixa de Salvador, foram tomadas por uma energia vibrante com o desfile do Bando Anunciador. Esta festa tradicional, conhecida como Olojá – Senhor do Mercado, dá início às celebrações que reverenciam o orixá Exu, uma figura central no candomblé de rua. Com uma fanfarra animada e muita alegria, o grupo apresentou aos feirantes, clientes e turistas a programação cheia de atividades culturais, que culminará no dia 7 de março, quando a festa atinge seu auge nas instalações da feira. Nos dias 4 e 6 de março, a comunidade poderá participar da Feira de Saúde e do Mercado da Memória Ancestral, respectivamente.
Desde 2024, o evento conta com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), que, por meio do projeto Agô Bahia, busca incentivar e valorizar as manifestações culturais e religiosas de matriz africana, contribuindo para o crescimento do afroturismo na região. “A Setur-BA foi o primeiro órgão público a nos convidar para uma parceria e garantir apoio, que tem sido fundamental na realização da festa, com um número crescente de participantes a cada edição. Começamos com o Bando Anunciador divulgando a programação das celebrações de 2026, que serão marcadas por acolhimento e ancestralidade”, destacou Anane Simões, presidente da Associação Cultural e Social Olojá.
Uma Festa que Une Comunidade e Cultura
A 5ª edição do Olojá traz o tema “Do mercado ao mundo: Exu no calendário da cidade”, ressaltando a importância da festa, que agora faz parte do calendário oficial das festividades populares de Salvador. Estima-se que mais de 100 terreiros participem das homenagens ao orixá, que é considerado guardião dos caminhos. A programação cultural contará com o Palco Nagô, onde diversos grupos provenientes de casas de santo, como afoxés, grupos de samba e outras manifestações populares, se apresentarão.
“O Olojá é essencial para a comunidade do candomblé. É um momento de celebração de Exu, uma oportunidade para festejarmos nossa diversidade e promovermos um encontro comunitário. Fiz questão de trazer minha filha para ver o Bando Anunciador, pois ela representa a continuidade da nossa família e da nossa religião. Precisamos incluir as novas gerações nesses momentos”, comentou Tatiane Assis, iakekerê (mãe pequena) do terreiro Casa do Ferreiro.
Segundo Nilton Ávila, presidente do Sindicato dos Feirantes de São Joaquim, o evento se tornou um novo atrativo para a feira, que passa por um processo de requalificação com as obras apoiadas pelo Governo do Estado. “Esse evento do afroturismo não só atrai baianos, mas também turistas, contribuindo para a valorização e sustentabilidade da cultura local”, finalizou.
