Uma Celebração Musical com História
A Sociedade Filarmônica 25 de Março, uma das instituições culturais mais queridas da Bahia, comemorou seus 158 anos na última quarta-feira, 25 de março, com um concerto especial do Projeto Retreta. O evento ocorreu no icônico coreto da Praça da Matriz, em Feira de Santana, e foi um verdadeiro reencontro entre músicos, convidados e o público. Este concerto não apenas celebrou a longa trajetória da filarmônica, mas também destacou o impacto que a instituição teve na formação de gerações de instrumentistas e na preservação da cultura musical no interior baiano.
O evento teve a honra de contar com a participação da Filarmônica Terpsícore Popular, de Maragogipe, promovendo um intercâmbio cultural entre diferentes cidades do interior do estado. Além das apresentações musicais, os visitantes puderam apreciar a exposição fotográfica “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”, que retratou a rica história da filarmônica e sua conexão com a cidade ao longo dos anos.
Uma História de Tradição e Formação Cultural
Fundada em 1868, a Filarmônica 25 de Março se tornou um dos pilares da vida cultural de Feira de Santana, superando desafios ao longo das décadas. A banda não só preservou as tradicionais retretas — concertos realizados em praças públicas — como também se dedicou à formação musical de jovens, ocupando espaços públicos com arte e cultura.
Essas retretas têm um significado especial na cultura brasileira, evocando práticas do século XIX e reafirmando o papel da música como um elemento de convivência social e memória coletiva. Nos últimos anos, a instituição implementou um processo de renovação. Desde 2014, a criação da Escola de Música Maestro Estevam Moura ampliou suas atividades educacionais, oferecendo formação gratuita e promovendo o surgimento de novos talentos musicais.
Integração de Gerações: Um Encontro Musical
Um dos momentos mais marcantes do concerto foi a interação entre músicos experientes e os jovens que se formaram na escola, agora integrantes da banda. Essa integração simboliza a continuidade de um modelo tradicional de transmissão de conhecimento, fundamentado na prática coletiva e na formação dentro da comunidade.
O maestro Antônio Carlos Batista Neves Junior, que coordena tanto a filarmônica quanto a escola, foi o responsável pela seleção do repertório especial da apresentação. Entre as obras executadas, estavam composições de mestres que marcaram a trajetória da instituição, como Tertuliano Santos e Estevam Moura. Essa escolha reafirma a importância de preservar a identidade musical da filarmônica e de honrar o legado de seus maestros.
Revitalização Cultural e Ocupação dos Espaços Públicos
O concerto fez parte do Projeto Retreta, uma iniciativa que visa revitalizar a cultura das bandas filarmônicas e promover a ocupação responsável dos espaços públicos por meio da música. Realizado no aniversário da filarmônica, o evento reforçou a ligação histórica entre a instituição e a cidade.
O projeto conta com o apoio da Lei Rouanet, com patrocínios da Rede Menor Preço, DPC Distribuidora e Bartofil, além do respaldo institucional da Fundação Senhor dos Passos e a realização do Ministério da Cultura, em parceria com o Governo Federal. A presença maciça do público na Praça da Matriz destacou a natureza inclusiva da iniciativa, sublinhando o papel das filarmônicas como agentes facilitadores de acesso à cultura e de fortalecimento da identidade local.
Exposição: Um Olhar sobre a Memória Cultural
Complementando o concerto, a exposição “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias” ofereceu uma perspectiva visual da história da filarmônica. Através de fotografias históricas, a mostra destacou episódios significativos da instituição e seu papel no cotidiano de Feira de Santana.
Essa iniciativa é essencial para a preservação da memória coletiva, ressaltando a importância da documentação histórica na valorização cultural. Ao unir música e imagem, o evento promoveu um entendimento mais profundo sobre a relevância da filarmônica na construção simbólica da cidade.
