A História dos Frades Capuchinhos em Feira de Santana
Em Feira de Santana, a presença dos Frades Capuchinhos remonta a quase 80 anos e sua trajetória é marcada por um profundo envolvimento com a comunidade. Inicialmente, a missão dos frades italianos era evangelizar, mas o caloroso acolhimento local e a audácia dos religiosos expandiram suas atividades, culminando na criação de um bairro que homenageia esse trabalho. Desde 1950, a ordem religiosa deixou sua marca indelével na cidade, estabelecendo raízes sólidas e contribuindo significativamente em áreas como educação e comunicação.
A história começou em 1949, quando Frei Henrique de Ascoli, Frei Teodoro de Serravalle e Frei Germano de Colli chegaram para realizar pesquisas sobre a melhor localização para o convento. A princípio, a área escolhida era próxima ao bairro da Queimadinha, porém, Frei Teodoro sugeriu uma nova direção, considerada mais estratégica devido ao crescimento urbano e à construção da BR-324, que liga Feira de Santana a Salvador. E assim, sob a orientação de Deus, foi determinada a localização da Fazenda Deus Dará, onde os frades se estabeleceriam.
Em 1950, com o apoio do custódio Frei Germano Citeroni, os frades chegaram em um “pau de arara”, como eram chamados os caminhões da época. O comerciante José Campos, um católico fervoroso, prestou sua hospitalidade, mas os frades optaram por ficar em uma garagem, que logo se transformou em capela, iniciando assim suas atividades religiosas.
O Crescimento da Ordem e suas Contribuições
A dedicação dos frades foi notável. Eles não apenas celebravam missas na capela improvisada, mas também realizavam visitas a lares católicos, aprofundando sua inserção na comunidade. Em 8 de agosto de 1950, o Convento de Nossa Senhora da Piedade, em Salvador, adquiriu a área onde seria construído o convento, seminário e igreja, marcando um passo significativo na história da ordem em Feira.
O primeiro tijolo do Convento de Santo Antônio foi assente em 28 de outubro de 1951. Nesse contexto, a comunidade local se mobilizou para apoiar os frades, com doações e iniciativas como leilões e quermesses. O engenheiro José Marchesini elaborou o projeto do seminário, e apesar de um esforço considerável, a obra foi finalmente inaugurada em 4 de março de 1956, contando com a presença do Arcebispo da Bahia, D. Augusto da Silva.
A Igreja de Santo Antônio e o Legado dos Capuchinhos
A edificação da Igreja de Santo Antônio começou em 17 de fevereiro de 1957 e foi concluída em 13 de junho de 1961. Mesmo antes da sua finalização, a primeira missa foi celebrada em 14 de junho de 1959, marcando um evento histórico. A Congregação Mariana, idealizada pelo frei Félix de Pacatuba, foi um marco na formação de jovens para uma sólida educação cristã.
Em 1958, os capuchinhos fundaram o Centro de Assistência Social Santo Antônio (ECASSA) e em 1963 transformaram o seminário em colégio público, expandindo ainda mais seus esforços educacionais. Com a criação da rádio Sociedade em 1960, liderada pelo frei Aureliano de Grottamare, os frades também se destacaram na área de comunicação, levando informações e evangelização à população. A emissora se tornou um ponto central para a disseminação de notícias e entretenimento na cidade.
A participação ativa dos Frades Capuchinhos no desenvolvimento de Feira de Santana é inegável e, passados 76 anos, seu legado continua a ser uma parte fundamental da identidade local. A história desses missionários é um exemplo inspirador de como o comprometimento e a fé podem transformar uma comunidade.
