Uma Trajetória Marcante nas Artes Cênicas
A coluna “Feira em História”, escrita pelo jornalista Zadir Marques Porto, destaca nesta edição a vida e obra de Geraldo Lima, um grande ícone do teatro de Feira de Santana. Desde muito jovem, Lima se envolveu com as artes, fazendo história como ator, diretor e autor. Com uma carreira marcada por sucessos no teatro e no cinema, ele também foi responsável por importantes contribuições literárias, incluindo um livro sobre a cena teatral na cidade, a qual defendeu apaixonadamente. Embora tenha falecido em julho de 2023, seu legado permanece vivo entre os admiradores das artes.
Geraldo Lima não era apenas um jornalista; sua ligação com a cultura feirense era profunda. Ao longo de sua vida, destacou-se em diversos espetáculos, construindo uma trajetória que o tornou um dos nomes mais respeitados do cenário cultural da Cidade Princesa. Os anos de movimentação artística foram fundamentais para o seu desenvolvimento, e a participação ativa da juventude em eventos teatrais, literários e musicais foi um ponto chave em sua formação. Desde os tempos de estudante no Ginásio Municipal Joselito Falcão de Amorim, sua paixão pelas artes começou a florescer.
Início no Teatro e Primeiras Conquistas
Geraldo começou sua carreira teatral em 1965, aos 16 anos, quando foi convidado por renomados nomes do teatro amador, como Luciano Ribeiro e Antônio Miranda. Ele fez sua estreia como o preto rei Gaspar na peça “O Boi e o Burro a Caminho de Belém”, um momento memorável que ficou gravado em sua memória. “A estreia foi vitoriosa, não só pela interpretação, mas pela experiência de atuar diante de um grande público”, relembra Lima em entrevistas.
Após essa primeira experiência, o teatro se tornou parte essencial de sua vida. Entre 1976 e 1978, ele apresentou a coluna “Semana da Arte” no extinto Diário de Notícias, um veículo que permitiu que ele se estabelecesse como uma voz influente na cena cultural local. Lima rapidamente se destacou entre os melhores atores da época, atuando em palcos de Salvador, incluindo o Teatro Castro Alves.
O Reconhecimento e a Diversidade de Trabalhos
Ao longo de sua carreira, Geraldo Lima não se limitou a um único gênero. Ele participou de diversas produções tanto para o público adulto quanto infantil, recebendo reconhecimento por suas atuações em peças como “Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera” e “A Revolução dos Beatos”. No entanto, seus trabalhos infantis, como “O Patinho Preto” e “Joãozinho e Maria”, marcaram sua trajetória e conquistaram o coração dos críticos e do público.
Na década de 1970, Lima começou a se dedicar mais à direção. Ele dirigiu peças significativas, incluindo “Branca de Neve e os Sete Anões” e “Teatro de Cordel”, sempre mantendo a qualidade e a inovação em suas produções. Mesmo afastado temporariamente dos palcos, Lima nunca deixou as artes cênicas. Ele retornou em 1980, assumindo direção de peças que envolviam estudantes universitários, revitalizando o cenário teatral de Feira de Santana.
Uma Contribuição Inestimável para o Cenário Cultural
Geraldo Lima não se limitou a atuar e dirigir; sua influência se estendeu ao cinema, onde participou do curta-metragem “Palhaços” em 1975. Seu amor pelas artes e sua dedicação à cultura feirense foram evidentes até seus últimos dias, editando o jornal eletrônico Infocultural, mantendo-se ativo no meio cultural. Nascido em 7 de janeiro de 1949, ele deixou uma marca indelével no teatro local ao falecer aos 71 anos, em 30 de julho de 2023.
Seu livro “O Teatro em Feira de Santana” é um testemunho de sua paixão e comprometimento com as artes, consolidando seu papel como um dos grandes defensores da cultura na cidade. A trajetória de Geraldo Lima é um exemplo inspirador de como as artes podem moldar vidas e comunidades, e sua memória será, sem dúvida, perpetuada entre aqueles que amam o teatro.
