A Crítica Cultural e o Agronegócio
Durante muitos anos, o Carnaval foi visto como uma mera manifestação cultural. Entretanto, quando essa expressão se torna um alvo de críticas que recebem apoio financeiro do governo e atacam setores essenciais da economia, como o agronegócio, a situação se transforma. O que antes era apenas arte, agora se torna uma questão política.
O cerne da questão não está na crítica em si, mas na falta de profundidade nas discussões que envolvem dados econômicos relevantes.
Os Dados do Agronegócio Brasileiro
Os números não mentem. O agronegócio no Brasil, de acordo com dados do CEPEA/ESALQ-USP, foi responsável por aproximadamente 24% a 25% do PIB em 2024, solidificando sua posição como motor econômico do país.
Além disso, as informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) revelam que o setor agrícola contribuiu com cerca de 40% das exportações brasileiras no mesmo ano, gerando entre US$165 bilhões a US$170 bilhões.
Esses dados demonstram que o superávit da balança comercial é amplamente sustentado pelo agronegócio, que também é responsável por empregar mais de 28 milhões de pessoas, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O Brasil e o Cenário Global
No contexto internacional, o Brasil se destaca em várias categorias, sendo o maior exportador mundial de soja, carne bovina, frango e o segundo maior exportador de milho. Além disso, lidera globalmente nas exportações de açúcar e café, conforme informações da FAO e do USDA.
É importante destacar que o Brasil também possui cerca de 12% da água doce superficial do planeta, conforme dados da Agência Nacional de Águas (ANA), um recurso vital em um mundo cada vez mais escasso.
Segurança Alimentar: Uma Questão Crítica
Em um cenário global onde a insegurança alimentar afeta mais de 735 milhões de pessoas, segundo o relatório da FAO, a importância do Brasil como exportador agrícola torna-se cada vez mais evidente. Conflitos como a guerra na Ucrânia e pressões climáticas tornam o papel do agronegócio ainda mais crítico. Assim, é inegável que o Brasil, ao contrário de outras potências, precisa valorizar sua produção agrícola.
Sustentabilidade e Desafios Ambientais
Além dos números, a sustentabilidade do agronegócio no Brasil é frequentemente negligenciada. De acordo com dados do Serviço Florestal Brasileiro, cerca de 66% do território nacional ainda conta com vegetação nativa preservada, e propriedades rurais são obrigadas a manter até 80% de reserva legal na Amazônia.
Embora o Brasil enfrente desafios ambientais, esses dados desmistificam a ideia de que o país não se preocupa com a preservação de seus recursos naturais.
O Paradoxo da Dependência
Por outro lado, é alarmante saber que o Brasil depende da importação de cerca de 85% dos fertilizantes utilizados, como aponta a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). A guerra na Ucrânia revelou essa vulnerabilidade e traz à tona um debate essencial: como o Brasil pode reduzir essa dependência, investir em agroindustrialização e agregar valor às exportações?
Cultura e Política: Uma Relação Necessária
A maneira como o financiamento público é direcionado para manifestações culturais que criticam o setor agrícola levanta questões pertinentes sobre a relação entre política cultural e política econômica. Ao observar países como os Estados Unidos e a União Europeia, que promovem seus agricultores como pilares da economia, é evidente que o Brasil também precisa adotar uma postura semelhante.
A Dimensão Geopolítica do Agronegócio
O relatório do World Economic Forum destaca a insegurança alimentar como um dos principais riscos globais. O papel do Brasil não se limita a ser um exportador; ele deve ser visto como um estabilizador internacional. Fragilizar a percepção pública do agronegócio é uma visão míope em um mundo que reconhece a segurança alimentar como sinônimo de paz e estabilidade.
Uma Conclusão Urgente
O agronegócio brasileiro é vital para a economia do país, sustentando o superávit comercial e garantindo a entrada de divisas. As críticas são válidas, mas ideologias simplistas não ajudam a construir políticas públicas eficazes. O Brasil deve optar por debater dados concretos em vez de se perder em slogans vazios. A agricultura do futuro será definida pela qualidade das decisões tomadas, e não apenas pela quantidade produzida.
O agronegócio pode pagar o preço por decisões políticas que fogem ao seu controle, aumentando a insegurança do produtor rural. É fundamental que as discussões sobre o futuro do setor sejam elevadas, focando em soluções práticas e sustentáveis, para que o Brasil continue a ser um protagonista no cenário global.
