Cenário de 2026: A Disputa por Talentos e Salários em Alta
O mercado de trabalho brasileiro está se preparando para um 2026 marcado por um crescimento moderado e uma disputa acirrada por profissionais altamente qualificados. A previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) avance entre 1,6% e 1,8% no próximo ano, enquanto a inflação apresenta uma tendência de queda. No entanto, as empresas enfrentam dificuldades crescentes para atrair e reter especialistas nas áreas de tecnologia, dados e sustentabilidade, que já experimentam inflação salarial própria. Essas informações são parte do Guia Estratégico de Remuneração 2026, elaborado pela Gi Group Holding, uma multinacional focada em soluções para o mercado de trabalho.
O relatório revela uma bifurcação inédita no mercado brasileiro: enquanto as funções tradicionais experimentam um crescimento tímido, os cargos estratégicos — especialmente os ligados à inteligência artificial (IA), segurança de dados e práticas sustentáveis — estão operando em um cenário de ‘pleno emprego’, com taxas de desemprego técnico abaixo de 4% entre profissionais com ensino superior. Esse descompasso estrutural é uma tendência que, segundo as projeções, deve persistir por vários anos.
O Valor da IA e a Nova Dinâmica Salarial
De acordo com o estudo, a proficiência em IA emergiu como uma ‘meta-habilidade’, capaz de aumentar consideravelmente o valor de mercado de profissionais em um mesmo cargo. Por exemplo, um analista financeiro que possui conhecimento em modelos preditivos baseados em IA pode ter um salário bem superior ao de um colega com o mesmo título, mas com habilidades tradicionais. Estima-se que entre 37% e 39% das competências profissionais exigidas atualmente terão que ser adaptadas até 2030, o que impulsionará uma onda de requalificação corporativa.
Esse cenário está forçando as empresas a reestruturar seus planos de cargos e salários. “Estamos diante de uma era onde os salários são impactados pela IA, onde o nível de domínio tecnológico cria faixas paralelas de remuneração dentro de um mesmo cargo”, explica Rafael Chenta, coordenador do estudo e gerente de operações da INTOO, parte da Gi Group Holding. “A remuneração passa a refletir impacto e escassez, não apenas senioridade”.
Pressão por Produtividade e Orçamentos Estratégicos
Com a taxa Selic prevista para ficar em 12% até o final de 2026, as empresas terão espaço limitado para aumentos salariais generalizados. O relatório indica que, no futuro, a tendência será direcionar investimentos salariais para áreas críticas, enquanto o restante da força de trabalho dependerá mais de bônus e recompensas variáveis. “Em um ambiente de juros altos, cada real do orçamento de RH precisa ter um retorno mensurável. Não esperaremos grandes reajustes em massa, mas sim aumentos segmentados para manter talentos essenciais”, detalha Rafael.
Desigualdade Salarial e Mobilidade Profissional
A análise projetada revela que o salário médio nacional deverá chegar a R$ 3.548 em 2026, com uma desproporção significativa entre as regiões do país. O Distrito Federal é o líder com uma média de R$ 5.547, seguido por São Paulo com R$ 4.298. Em contrapartida, estados como Maranhão e Ceará apresentam as menores médias salariais.
Segundo a INTOO, essa disparidade impacta a mobilidade profissional e a concorrência entre empresas em diferentes regiões. “Profissionais qualificados continuam migrando para os polos de inovação, resultando em um déficit crônico de mão de obra especializada em alguns mercados”, afirma Chenta.
Cargos em Alta: O Futuro do Recrutamento
O relatório também identifica as funções que impulsionaram o recrutamento em 2025 e que continuarão em alta em 2026:
- Diretor de Receita (CRO)
- Especialistas em IA e automação de processos
- Analistas de cibersegurança
- Engenheiros de segurança de processo
- Gestores e analistas de sustentabilidade
Conforme o levantamento, apenas os cargos relacionados à tecnologia e à gestão foram responsáveis por até 30% das novas vagas em setores emergentes.
A Grande Requalificação: Imperativo para o Sucesso
Para 2026, a Gi Group Holding enfatiza a ‘Grande Requalificação’ como uma prioridade estratégica. Metade das empresas brasileiras ainda não utiliza IA de maneira estruturada, e muitas que o fazem estão apenas começando. O principal obstáculo é a falta de talentos qualificados.
“A única estratégia sustentável é desenvolver a força de trabalho atual. Recrutar profissionais já prontos em áreas de alta demanda é custoso e, frequentemente, inviável”, avalia Rafael Chenta. “As empresas que se destacarem serão aquelas que investirem robustamente em aprendizado contínuo”.
O Profissional Híbrido: O Futuro da Força de Trabalho
Por fim, o relatório conclui que o profissional mais valorizado em 2026 será aquele que combina conhecimento técnico com habilidades digitais e sensibilidade humana. “Não basta ser um especialista em tecnologia. O mercado precisa de pessoas capazes de conectar tecnologia aos negócios, que liderem, inovem e aprendam rapidamente”, resume o especialista.
