Movimentações Políticas em Feira de Santana
A indecisão sobre o futuro político do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), nas eleições de 2026, começa a provocar reações entre seus aliados de longa data. Recentemente, o gestor recebeu convites para integrar chapas majoritárias nas disputas estaduais, colocando-o em um dilema entre manter seus vínculos com o grupo tradicional e dialogar com o governo estadual.
Nos últimos meses, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) manifestou interesse em incorporar o prefeito em sua base, enquanto o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), indicou José Ronaldo como um potencial vice-governador. Esta situação posicionou o líder político de Feira de Santana como uma figura central no cenário eleitoral baiano.
Aliados Reagem à Indefinição
A falta de clareza sobre o futuro político de Ronaldo levou seus aliados históricos a se pronunciar. Hamilton Ramos, um consultor empresarial que há mais de 40 anos coordena campanhas do prefeito, foi um dos primeiros a se manifestar. Ele enfatizou que se Ronaldo decidir deixar sua posição atual para se candidatar à vice-governadoria, a sucessão na prefeitura poderia ser responsabilidade de Pablo Roberto, um nome de confiança do grupo.
Entretanto, Hamilton alertou que essa decisão deve ser tomada com cautela e requer uma análise política detalhada. Ele expressou preocupações sobre o impacto que uma eventual aliança com o governador Jerônimo Rodrigues teria na influência política do prefeito em Feira de Santana, especialmente dado o histórico de rivalidade com o deputado federal Zé Neto (PT), um adversário forte na região.
Desgaste da Base Tradicional
O consultor ressaltou que parte do grupo político de José Ronaldo demonstra resistência a uma aliança com o PT. Alguns apoiadores já manifestaram que não estariam dispostos a seguir um novo alinhamento, o que poderia resultar em desgaste interno significativo. Para Hamilton, manter o apoio à base política tradicional preservaria a fidelidade partidária e o controle sobre as indicações estaduais na cidade.
Considerações Sobre a Carreira Política
O alerta de Hamilton também destacou que a escolha do prefeito não deve se basear apenas na possibilidade de se tornar vice-governador, mas sim no poder real que essa posição poderia oferecer a médio e longo prazo. Ele afirmou que Ronaldo precisa ponderar cuidadosamente as vantagens políticas e o espaço de influência que teria em uma nova configuração de poder. Uma decisão mal tomada poderia comprometer a trajetória política construída ao longo de décadas.
O consultor ainda recordou o início da carreira de José Ronaldo, lembrando um conselho que o prefeito repetia em sua primeira campanha: a vaidade não deve interferir nas decisões políticas. Para Hamilton, o atual cenário exige exatamente essa postura prudente e estratégica, considerando que não basta ocupar um cargo que não tenha viabilidade política.
Permanência na Prefeitura como Opção
Além disso, Hamilton sugeriu que o prefeito poderia optar por concluir seu mandato na Prefeitura de Feira de Santana. Essa decisão preservaria os compromissos com a população e evitaria os riscos associados a uma mudança de campo político. O debate em torno do futuro de José Ronaldo se insere em um contexto de reconfiguração das forças políticas na Bahia, com articulações antecipadas para as eleições estaduais de 2026.
A Influência de Feira de Santana no Cenário Político
A indefinição de José Ronaldo destaca o papel estratégico de Feira de Santana como o segundo maior colégio eleitoral da Bahia, capaz de influenciar diretamente a disputa pelo governo estadual. A posição do prefeito, consolidada ao longo de sucessivas gestões e alianças, tornou-se um ativo importante para qualquer projeto eleitoral majoritário. Este episódio também revela as tensões internas que frequentemente surgem em ciclos eleitorais, quando lideranças locais são disputadas por diferentes campos políticos.
Por fim, a resistência de parte da base à aproximação com o governo estadual sugere que essa decisão poderá provocar mudanças significativas na dinâmica do grupo político, incluindo possíveis reacomodações internas. A situação ilustra um dilema clássico da política brasileira: escolher entre ampliar a influência institucional através de alianças ou manter a coerência e o capital simbólico junto à base tradicional. Em um ambiente eleitoral polarizado, as escolhas feitas agora podem reconfigurar carreiras políticas e o mapa eleitoral da Bahia nos próximos anos.
