Pressão nos Preços e Forte Exportação
O Agro Mensal, relatório lançado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, revelou que o mercado de trigo fechou 2025 sob intensa pressão devido aos altos níveis de oferta. Essa situação resultou em uma queda significativa nas cotações em ambos os mercados, nacional e internacional. No entanto, ao contrário do que poderia ser esperado, o ritmo das exportações se intensificou em dezembro, o que contribuiu para escoar parte da produção disponível.
No Brasil, os preços do trigo recuaram em relação a novembro, refletindo essa pressão. No Rio Grande do Sul, a saca de 60 kg foi comercializada a R$ 54,91, uma queda de 3,2%. O Paraná, por sua vez, apresentou um valor médio de R$ 63,99, com uma leve retração de 0,2%. Nas primeiras semanas de 2026, as cotações se mantiveram estáveis no Rio Grande do Sul, enquanto o Paraná registrou uma leve alta de 0,2%.
Safra e Produtividade Favoráveis
A safra de 2025 foi marcada por uma redução de 20% na área cultivada, totalizando 2,4 milhões de hectares, embora as condições climáticas tenham favorecido a produtividade, que aumentou 26%. Isso resultou em uma produção de 7,9 milhões de toneladas, volume 0,9% superior ao da temporada anterior. A qualidade do grão foi considerada satisfatória, apesar de alguns relatos de chuvas na fase final da colheita.
Aumento das Exportações e Mercados Internacionais
Apesar da demanda interna enfraquecida, as exportações do trigo brasileiro apresentaram um crescimento significativo em dezembro. Os embarques, especialmente do Rio Grande do Sul, totalizaram 677 mil toneladas, marcando um aumento impressionante de 482% em comparação com novembro e 96% acima do volume exportado no mesmo período de 2024. Os principais destinos do trigo brasileiro foram Bangladesh e Vietnã, destacando a competitividade do produto nacional no comércio internacional.
Pressão nos Preços Internacionais
Em nível internacional, os preços do trigo continuaram a sofrer pressão ao longo de dezembro, devido à oferta abundante global. Em Chicago, o contrato do trigo soft caiu 1,8%, fechando a US$ 5,24/bu. No mercado de Kansas, o trigo Hard Winter teve uma leve queda de 0,4%, alcançando US$ 5,19/bu. No início de 2026, pôde ser observada uma leve recuperação nos preços, influenciada por tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, além do tempo seco nos Estados Unidos e da redução na área cultivada de trigo para o inverno.
No dia 12 de janeiro, os preços subiram para US$ 5,17/bu em Chicago e US$ 5,30/bu em Kansas. Contudo, após a divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), houve uma nova queda, encerrando o dia 14 de janeiro em US$ 5,12/bu (Chicago) e US$ 5,22/bu (Kansas).
Estimativas do USDA e Desafios da Argentina
O USDA revisou para cima as projeções de produção e estoques globais de trigo para o ciclo 2025/26, prevendo uma produção recorde de 842 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 5,2% em relação à safra anterior. Os maiores avanços foram registrados na União Europeia (+18%), Rússia (+10%), Austrália (+8%) e Argentina (+49%). O consumo mundial deve crescer 2%, com os estoques finais estimados em 7% acima dos números do ciclo 2024/25.
Na Argentina, a colheita está próxima de ser finalizada, com 98,5% das lavouras já colhidas até o dia 8 de janeiro, segundo a Bolsa de Cereales. A produção foi revisada para cima, alcançando 27,8 milhões de toneladas, um novo recorde para o país. Contudo, apesar das boas condições climáticas, o trigo argentino apresentou um baixo teor de proteína, o que poderá diminuir seu valor no mercado, exigindo importações complementares para a indústria.
Perspectivas para o Mercado Brasileiro
Com a colheita finalizada, espera-se que as negociações reaqueçam a partir da segunda quinzena de janeiro, impulsionadas pela retomada da demanda dos moinhos após o período festivo. As incertezas em relação à qualidade do trigo argentino também podem oferecer suporte aos preços internos. Apesar da tendência sazonal de alta que costuma ocorrer neste início de ano, a ampla oferta e os estoques confortáveis no Brasil devem restringir uma recuperação mais acentuada nas cotações.
