Desafios na Articulação Política com a Saída de Gleisi
A saída de Gleisi Hoffmann do Ministério da Casa Civil, prevista para ocorrer até abril, abre espaço para novas dinâmicas nas articulações políticas do governo Lula. A ministra irá disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná, o que significa que o presidente Lula terá pouco mais de um mês para encontrar um substituto capaz de conduzir as negociações com a Câmara e o Senado. Este período é crítico, especialmente considerando que as atividades legislativas costumam ser concentradas no primeiro semestre, antes do início das campanhas eleitorais. Portanto, há uma pressão cada vez maior para que o governo consiga discutir e aprovar projetos considerados essenciais, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e o projeto de lei antifacção, que são bandeiras importantes para a reeleição de Lula.
Além disso, está em pauta a regulamentação do trabalho dos motoristas de aplicativo, que também faz parte das prioridades do governo neste ciclo eleitoral. A situação é delicada, já que o tempo é escasso e a necessidade de uma articulação eficiente é premente.
A Solução Interna: Olavo Noleto em Evidência
O presidente Lula decidiu que a Casa Civil não será entregue a partidos aliados e, portanto, manterá a gestão sob o controle do PT. Essa decisão de optar por uma solução interna levanta a questão sobre a necessidade de um nome forte para liderar a articulação política em um momento em que o partido busca aumentar sua representatividade no Congresso. Nesse sentido, Olavo Noleto, ex-secretário de Gleisi, surge como um dos principais candidatos para assumir a função. Apesar de não ter sido testado como ministro, Noleto possui bagagem suficiente em articulações políticas ao longo dos cinco mandatos petistas e é bem-visto por diversos líderes, incluindo Miriam Belchior e Edinho Silva.
Noleto, que já foi o número dois de Alexandre Padilha, manteve-se na equipe mesmo após a saída de seu ex-chefe, o que demonstra seu prestígio dentro do governo. Entretanto, uma alternativa que perdeu força é a promoção de Marcelo Costa, atual secretário-executivo de Gleisi, que, embora tenha uma boa relação com os parlamentares, ainda não tem a mesma notoriedade que Noleto.
A Preocupação com a Autoridade Política do Novo Ministro
A escolha de um novo ministro para a articulação política não é simples. Há uma preocupação entre integrantes do governo e líderes do Congresso sobre a necessidade de um nome que tenha passado pelas urnas, o que garantiria maior autoridade nas negociações. O líder do PDT, Mario Heringer, expressou essa preocupação, ressaltando que a falta de um político com trânsito legislativo pode aumentar as tensões entre o Executivo e o Legislativo.
Além disso, o nome do líder do governo na Câmara, José Guimarães, também começou a ser cogitado. Embora sua prioridade seja a candidatura ao Senado pelo Ceará, essa situação é delicada e pode exigir o partido a fazer concessões em sua chapa para apoiar outros candidatos. A boa relação de Guimarães com o presidente da Câmara, Hugo Motta, o torna uma opção atraente para substituição de Gleisi.
A Importância do Cumprimento de Acordos e Gestão de Emendas
Com a mudança iminente, líderes do Congresso têm enfatizado a necessidade de que o novo ministro seja capaz de garantir a continuidade dos acordos estabelecidos por Gleisi. Um dos principais pontos de atenção é o pagamento de emendas, que se tornará cada vez mais crítico em 2025, quando o Congresso impôs um calendário obrigatório que exige 65% dos recursos liberados no primeiro semestre. Historicamente, o governo tem enfrentado dificuldades para atender a esses prazos, o que pode afetar sua imagem e a relação com os parlamentares.
Na semana anterior, Lula vetou cerca de R$ 400 milhões em emendas, e ainda há a expectativa de bloqueios adicionais que podem superar R$ 11 bilhões. Um parlamentar governista ressaltou que o novo ministro precisará agir rapidamente para atender os pedidos de emendas e nomeações para aliados, garantindo que os programas do governo, como o Minha Casa, Minha Vida, cheguem às bases eleitorais.
Construindo um Ambiente de Normalidade Institucional
Com as tensões políticas em um cenário eleitoral, interlocutores de Lula afirmam que o novo comando da Secretaria de Relações Institucionais terá a missão de manter um ambiente de normalidade institucional. Existe o receio de que a oposição utilize a atividade parlamentar para desestabilizar o governo e, consequentemente, prejudicar a imagem de Lula perante a população.
Defensores de Olavo Noleto acreditam que sua experiência pode ajudar nesse processo de continuidade nas articulações e que a presença de Gleisi na Câmara continuará a ser uma influência significativa nas negociações. A eficiência nas articulações e o cumprimento das promessas feitas no passado serão fundamentais para garantir a governabilidade, especialmente em um ano eleitoral marcado por incertezas.
