Peso Ideal da Mochila e seus Impactos na Saúde
Com o início do ano letivo, o cenário se repete: crianças e adolescentes retornam à rotina escolar carregando mochilas repletas de livros, cadernos e materiais diversos. No entanto, quando o peso da mochila ultrapassa o limite recomendado ou o uso é inadequado, os riscos de desconforto aumentam, com dores nas costas, ombros e pescoço se tornando comuns. Além disso, esses problemas podem causar alterações posturais, comprometendo o desempenho escolar e a prática de atividades físicas.
É interessante notar que a dor nas costas não é um problema restrito aos adultos. Uma metanálise realizada globalmente revela que aproximadamente 12% das crianças e adolescentes relataram dor lombar em algum momento. Esse número, alarmantemente, supera 30% ao longo de um ano, aumentando gradativamente com a idade. Os dados ressaltam a necessidade urgente de atenção no ambiente escolar e em casa, a fim de evitar que desconfortos iniciais evoluam para dores crônicas.
A fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, especialista em Ciências Médicas, destaca que o retorno às aulas representa uma oportunidade crucial para que pais e educadores fiquem atentos a sinais de alerta. “A dor nas costas não deve ser uma constante na infância. Quando a carga que o corpo suporta é excessiva, a criança começa a compensar com alterações na postura e na marcha, além de aumentar a tensão muscular. A correção imediata é fundamental para prevenir a progressão do problema”, explica.
Fatores que Contribuem para a Dor nas Costas
Segundo a especialista, três aspectos principais estão por trás das queixas mais frequentes relacionadas a dor: o peso excessivo da mochila, a má distribuição do material dentro dela e o ajuste inadequado das alças. “É comum ver alunos carregando mochilas muito baixas, soltas ou apoiadas em apenas um ombro. Essas práticas desbalanceiam a carga e sobrecarregam a coluna e os ombros”, observa Milazzotto.
Qual é o Peso Recomendada da Mochila Escolar?
As diretrizes mais seguidas em campanhas de saúde pediátrica no Brasil estabelecem que o peso da mochila não deve exceder 10% do peso corporal da criança ou do adolescente. Essa recomendação é apoiada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que também enfatiza a importância de considerar o tamanho da mochila, o ajuste das alças e a presença de cintas de estabilização para minimizar o impacto na coluna.
Na prática, isso se traduz em orientações como:
- Criança pesando 30 kg: mochila com até 3 kg
- Criança pesando 40 kg: mochila com até 4 kg
- Adolescente pesando 50 kg: mochila com até 5 kg
Como Identificar Problemas Comuns
Os pais e responsáveis devem estar atentos a sinais de alerta, como queixas frequentes de dor nos ombros, no pescoço ou na região lombar, marcas profundas das alças na pele, formigamento nos braços, cansaço ao caminhar com a mochila ou a necessidade de inclinar o tronco para suportar o peso. A SBP associa o uso excessivo de carga e o ajuste incorreto da mochila ao aumento de dores e ao risco de lesões musculoesqueléticas.
Milazzotto também sugere que mudanças comportamentais sutis merecem atenção. “A recusa em carregar a mochila, irritabilidade após a escola, diminuição da atividade física e postura encurvada são indícios que não devem ser ignorados”, alerta.
Dicas para Diminuir a Sobrecarga
Felizmente, adotar algumas medidas simples pode aliviar o impacto sobre a coluna, sem que isso acarrete custos adicionais para as famílias. Algumas práticas incluem a revisão do material escolar para eliminar itens desnecessários, o uso de mochilas com suporte adequado e a conscientização das crianças sobre a forma correta de carregar suas mochilas. Essas pequenas mudanças, quando aplicadas, podem fazer uma grande diferença na saúde postural dos jovens estudantes.
