O Poder do Exemplo na Educação
Recentemente, durante o feriado de carnaval, tive uma conversa reveladora com um amigo, pai de duas crianças: um menino de sete anos e um jovem de dezessete. Em meio a reflexões sobre a vida e os desafios de educar em um mundo veloz, ele compartilhou uma decisão que o deixou impressionado: ele optou por parar de consumir bebidas alcoólicas assim que seu filho mais velho entrou na adolescência. E não foi por influência externa, como recomendações médicas ou promessas religiosas, mas por uma questão de coerência.
Segundo ele, não se justificava exigir um comportamento diferente do filho, enquanto ele mesmo consumia álcool. Para ele, o ato de orientar sobre os riscos do consumo de bebidas, enquanto estava ao lado do filho bebendo, apenas normalizava algo que poderia eventualmente se tornar um problema. “Porque o exemplo arrasta”, ele enfatizou, e essa frase ecoou em minha mente.
Hoje, vivemos tempos em que é comum ouvir sobre jovens que se embriagam em festas, colocando suas vidas e de outros em risco. Acidentes de trânsito frequentemente têm a imprudência aliada ao consumo de álcool como causa. Tragédias familiares poderiam ser evitadas, mas a dura realidade é que muitas perdas são lamentadas todos os dias.
Quando alguém opta por adotar uma postura mais rígida em relação a esses comportamentos, logo surgem rótulos e preconceitos: conservador, careta, militante de direita ou religioso demais. Mas será que precisamos rotular tudo? Muitas decisões não estão atreladas a uma ideologia, mas sim ao senso de responsabilidade e moral que devemos cultivar.
Se o desejo é que os filhos não consumam álcool, o primeiro passo é dar o exemplo em casa. Se a intenção é estimular a leitura, os livros devem ser vistos abertos nas mãos dos pais. Desejamos que nossos filhos aprendam a respeitar os outros? Então, o respeito deve ser uma prática diária dentro do lar.
Como mãe, essa reflexão me toca profundamente. Também sou filha e fui criada com restrições, mas recebi uma educação firme e clara, que moldou minha personalidade e visão de mundo. A lição que fica é que não se trata de dinheiro ou status social; é sobre referências e valores que transmitimos.
Atualmente, observamos jovens sendo atraídos pelo tráfico de drogas e adolescentes sequestrados dentro de suas próprias casas, com desfechos trágicos que nos chocam. É evidente que a responsabilidade não recai apenas sobre os ombros das famílias. A sociedade é multifacetada, e o Estado desempenha um papel crucial, assim como as políticas públicas que precisam ser implementadas.
No entanto, a casa continua sendo a primeira escola. O que almejamos para nossos filhos começa com nossas próprias atitudes. Isso não é apenas discurso; é uma prática diária. Não é militância, mas sim coerência. Ao final, antes de bandeiras ou ideologias, existe uma verdade antiga e simples: o exemplo realmente arrasta.
