Um Ano Crítico para a Saúde e Educação
Com as eleições se aproximando, o cenário político do Distrito Federal enfrenta grandes desafios em 2026. O ano anterior, marcado por cortes orçamentários severos, trouxe à tona problemas estruturais que impactaram diretamente áreas essenciais como saúde e educação. O governo de Ibaneis Rocha (MDB), em consonância com a vice-governadora Celina Leão (PP), terá que atuar rapidamente para enfrentar essas pendências.
A discussão em torno do direito à cidade, especialmente após a aprovação do Plano de Ordenamento Territorial (Pdot) e do programa Tarifa Zero, continua a ser relevante. As políticas implementadas e suas consequências levantam questões cruciais sobre quem realmente possui acesso à capital e aos serviços públicos.
Desafios Financeiros na Saúde
O setor de saúde no Distrito Federal sofreu um colapso em 2025, com o orçamento destinado à área caindo para R$13 bilhões. Recentemente, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou um Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) que prevê um corte de R$1,1 bilhão para 2026. Essa medida aprofunda uma crise já existente, refletida na superlotação em Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) e na escassez de profissionais e insumos.
Com 32.122 trabalhadores ativos na saúde, incluindo médicos e enfermeiros, a situação é alarmante. Dados do Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (Sindenfermeiros) indicam que a falta de profissionais e a sobrecarga de trabalho têm gerado um impacto negativo significativo na qualidade do atendimento, especialmente para aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). O sindicato enfatiza a necessidade urgente de recompor o orçamento da saúde, realizar concursos públicos e garantir condições dignas de trabalho para os profissionais.
Educação em Crise
A educação também está longe de ser uma exceção nesse contexto de cortes. Em 2025, o setor enfrentou intensos desafios, incluindo uma greve significativa dos professores que expôs problemas estruturais nas escolas, como salas superlotadas e falta de profissionais qualificados. Apesar das conquistas durante a mobilização, como nomeações de concursados, os investimentos para 2026 foram reduzidos para R$5,1 bilhões, gerando forte descontentamento.
O Sindicato dos Professores (Sinpro) critica a gestão Ibaneis-Celina, afirmando que a lógica de contenção de gastos prejudica a qualidade da educação pública. Para 2026, o Sindicato delineou metas claras, como garantir a implementação dos acordos conquistados com a greve e lutar contra o contingenciamento.
Os Projetos de Direito à Cidade
O direito à cidade foi um tema central em 2025, especialmente com a implementação do programa Tarifa Zero, que oferece acesso gratuito ao transporte público em fins de semana. O programa resultou em um aumento significativo no número de passageiros, mas ainda há muitas críticas em relação à falta de uma política habitacional eficaz.
O Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot), embora tenha sido aprovado, é visto como um facilitador da especulação imobiliária e da grilagem de terras. Deputados como Gabriel Magno (PT) e Max Maciel (PSOL) expressaram suas preocupações sobre o impacto que essas políticas têm na população mais vulnerável.
O Impacto do Escândalo Financeiro
Além das preocupações sobre saúde e educação, não se pode esquecer do escândalo financeiro que envolveu o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que culminou em investigações da Polícia Federal. A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB levantou questões sobre a gestão do governo em relação aos recursos públicos.
O deputado Max Maciel destacou a necessidade de uma CPI para esclarecer as conexões entre o governo do DF e os processos fraudulentos. Apesar da resistência a essa iniciativa em 2025, há uma expectativa de que 2026 traga novas oportunidades para que a verdade seja revelada.
O ano de 2026 se apresenta como um marco decisivo não apenas para a política do Distrito Federal, mas também para o fortalecimento das lutas populares e a reavaliação das prioridades governamentais. A recomposição do orçamento para saúde e educação, a defesa dos direitos dos cidadãos e o enfrentamento de escândalos de corrupção serão fundamentais para moldar o futuro da capital federal.
